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Busca por legado traz imprevisibilidade ao Lula 4, diz diretor da Eurasia

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Busca por legado traz imprevisibilidade ao Lula 4, diz diretor da Eurasia

Em seu quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará cada vez mais preocupado com o legado que deixará para o país — e essa preocupação pode tornar seu governo mais imprevisível. A avaliação é de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, uma das maiores consultorias de risco político do mundo, em entrevista ao UOL .

Para Garman, Lula deve começar o novo mandato com uma postura pragmática, mas a busca por definir como será lembrado pode ganhar peso ao longo do governo. Isso pode levá-lo tanto a tomar decisões difíceis para o país quanto a aprofundar uma agenda de combate à desigualdade, com medidas como maior tributação dos mais ricos e novos benefícios para a classe média.

Dependendo do desenho dessas políticas, elas podem agravar a situação fiscal e manter os juros pressionados. Por isso, a maior preocupação de Garman não está no início do Lula 4, mas nos anos seguintes, especialmente se o presidente perder popularidade.

Sobre o cenário no mercado financeiro, Garman afirma também que, para acalmar o mercado, o presidente reeleito precisa decidir rapidamente quem será o novo ministro da Fazenda e apresentar regras sustentáveis para controlar o crescimento dos gastos obrigatórios.

Na segunda-feira pós-segundo turno, a bolsa derreteu 13,9% e o dólar subiu 8,2%, em um dia considerado "sangrento" para os mercados. Nesta terça-feira, o Ibovespa (principal índice da B3) caía 0,19% às 11h35.

O executivo afirma que os juros elevados ameaçam o crescimento. "O endividamento das empresas e das famílias aumenta a vulnerabilidade da economia."

Para ele, o segundo desafio de Lula será político: além de iniciar uma correção fiscal, o presidente precisará administrar a perda potencial de apoio popular e a construção de seu legado. "O Congresso conservador será um obstáculo à governabilidade."

Garman acredita que a relação do Brasil com os Estados Unidos deverá continuar como no último ano: embora existam possíveis atritos comerciais e regulatórios, há interesses econômicos que favorecem a manutenção dos vínculos.

A vitória de Lula surpreendeu o mercado, com a bolsa derretendo e o dólar disparando na segunda-feira (26). Como você avalia os próximos dias?

A movimentação intensa dos preços dos ativos não foi uma surpresa. O que surpreendeu foi o resultado das urnas no domingo. O mercado estava muito posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro. O contexto é de baixa credibilidade fiscal do atual governo, que se deteriorou ainda mais ao longo da campanha, com diversas promessas eleitorais para garantir a vitória do presidente. A grande preocupação é se haverá uma correção de rumos na política fiscal. Caso isso não aconteça, poderemos entrar em um ciclo muito prejudicial, com uma política fiscal expansionista que dificulta a redução dos juros pelo Banco Central. Isso afeta todos os preços dos ativos, provoca uma depreciação cambial, aumenta a pressão inflacionária e dificulta o financiamento do governo por meio da emissão de títulos públicos. Essa espiral de crise não desaparecerá tão cedo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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