Você sabe fazer skincare coreano? Dermatologista explica todas as etapas
A nobreza da Dinastia Joseon não tinha o hábito de suar.
Enquanto camponeses de costas curvadas sob o sol do meio-dia colhiam arroz em lamaçais, os aristocratas recolhiam-se aos pátios sombreados de seus palácios de madeira.
Ter a pele pálida e sem o menor vestígio de sol, no século XVII, equivalia ao que hoje é exibir um relógio de luxo ou ostentar um diploma de universidade estrangeira: uma linha invisível a dividir quem trabalhava com a força dos braços e quem vivia do status.
Três séculos depois, a busca por uma pele sem marcas deixou de ser carimbo de classe para se tornar uma obsessão nacional e uma commodity exportada para o mundo todo.
Para a médica Bruna Bravo, pós-graduada na Harvard Medical School, especialista em dermatologia e dedicada a estudar as fórmulas e a evolução dos cosméticos sul-coreanos, o sucesso do chamado K-beauty esconde algo muito mais rigoroso do que vídeos virais de redes sociais: uma combinação precisa entre ancestralidade cultural, fisiologia e investimentos massivos em biotecnologia.
“A preocupação com a pele na Coreia do Sul não nasceu com a internet.
É um hábito repassado de mãe para filha há gerações e que também tem uma explicação médica clara”, pondera a médica.
A pele de ancestralidade asiática apresenta maior propensão à hiperpigmentação pós-inflamatória, ou seja, qualquer lesão por acne, picada de inseto ou procedimento estético mais agressivo pode se transformar em uma mancha escura e duradoura.
O cuidado precoce e focado na prevenção não é vaidade fútil, mas uma necessidade fisiológica.
Elas aprenderam a prevenir porque corrigir o dano é muito mais difícil.” Essa mentalidade preventiva encontrou, segundo Bruna Bravo, solo fértil no hanbang, a medicina tradicional local cujas raízes vêm da China.
Antes de os grandes laboratórios ocuparem os arranha-céus de Seul, as famílias usavam o que a terra oferecia para acalmar as agressões do clima rigoroso.
Arroz, feijão-vermelho, ginseng, alcaçuz e centella asiática deixaram de ser apenas ingredientes de sopas para virar elixires e pomadas artesanais.
À medida que a indústria nacional se estruturava no pós-guerra, as grandes empresas cosméticas perceberam que o segredo não estava em descartar esses saberes antigos, mas em passá-los pelos tubos de ensaio: Continua após a publicidade “A indústria incorporou ainda matérias-primas associadas a diferentes regiões do país.
Entre elas estão a água e o lodo vulcânicos de Jeju, as algas marinhas, o óleo de camélia, o bambu e o própolis.
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