Flávio Bolsonaro soma apoios e lidera primeira pesquisa para o segundo turno
Flávio Bolsonaro lidera a primeira pesquisa de intenção de voto para o segundo turno e recebeu, nesta quinta-feira (8), o apoio do candidato derrotado Augusto Cury, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta relançar sua campanha.
O instituto Datafolha atribuiu, nesta quinta, ao senador 52% dos votos válidos, contra 48% do atual presidente, com margem de erro de dois pontos percentuais, na votação marcada para 25 de outubro.
No primeiro turno, no domingo, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro ficou à frente com 47% dos votos, contra 45% de Lula. Cury ficou em terceiro, bem atrás, com 3% dos votos.
Os dois candidatos reorganizam suas estratégias para a reta final da campanha: enquanto Flávio concentra esforços na construção de alianças, Lula aposta em reforçar sua presença nas redes sociais, onde a extrema direita tem vantagem.
O escritor Augusto Cury, que obteve 3,4 milhões de votos no domingo, é o mais novo reforço da campanha de Bolsonaro. Ele se junta aos ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, também derrotados no primeiro turno. Juntos, os três somaram 5,34% dos votos.
Já Renan Santos, quarto colocado, com 2,6 milhões de votos, recusou-se a apoiar qualquer um dos dois candidatos.
Aos 45 anos, Flávio Bolsonaro dá como certa sua vitória. Na quarta-feira, ele afirmou que seu pai, que cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, será libertado, colocará nele a faixa presidencial e subirá ao seu lado a rampa do Palácio do Planalto em janeiro.
Lula, que busca um quarto mandato aos 80 anos, minimizou o resultado da pesquisa Datafolha. "Eu não avalio pesquisa, não trabalho assim. Eu trabalho sabendo que eu preciso ter mais votos que o Flávio para ganhar as eleições. Eu tenho 17 dias para isso", declarou em coletiva de imprensa.
Na véspera, o presidente admitiu que esta é "a campanha menos organizada" desde sua primeira candidatura à Presidência, em 1989. Ele também publicou seu primeiro vídeo em formato de selfie, no qual convocou seus apoiadores a irem às ruas conversar com eleitores para ampliar sua votação.
Milhares de pessoas se manifestaram nesta quinta-feira em São Paulo e em outras cidades contra o retorno da extrema direita, um dia após uma mobilização semelhante no Rio de Janeiro.
"Sem anistia, sem perdão" estava entre as palavras de ordem dos protestos, em referência aos planos de Flávio Bolsonaro de libertar seu pai.
"O Brasil está correndo um grande risco de perder a democracia e a soberania", disse à AFP a aposentada Annette Lomaski, de 66 anos, em São Paulo. Já a estudante de cinema Rafaella Percequillo, de 24 anos, cobrou de Lula "campanhas mais fortes nas redes sociais".
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