Migrantes fecham comércio na Alemanha em ato contra a AfD
Ato reuniu restaurantes, barbearias e lojas de conveniência antes da eleição estadual de 6 de setembro na Saxônia-Anhalt
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Várias lojas pertencentes a migrantes na cidade alemã de Magdeburg, capital de Saxônia-Anhalt, fecharam as portas por várias horas nesta quarta-feira, 26, em protesto contra a política anti-imigração do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) , que lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições no estado, situado no leste alemão.
Um protesto em frente ao Parlamento estadual também estava previsto para o dia de hoje. A chamada “greve dos migrantes” promovida pelas comunidades locais visa alertar sobre as consequências de uma possível vitória da AfD nas votação do próximo mês.
“Fechamos nossas portas hoje para que as portas para uma sociedade livre e democrática não se fechem amanhã” , disse o Conselho de Refugiados da Saxônia-Anhalt, que apoiou a iniciativa. A entidade afirmou em nota que muitos migrantes já relataram experiências de racismo e exclusão social no estado.
Cerca de 160 empresas na área ao redor de uma das praças centrais de Magdeburgo, a Hasselbachplatz, incluindo restaurantes, barbearias e lojas de conveniência, participaram do protesto, fechando suas portas entre as 10h e as 15h no horário local, segundo os organizadores. Empresas que não pertencem a migrantes também planejavam aderir à greve .
A AfD, que o serviço de segurança interna alemão classifica como “extremista de direita” , prometeu, caso vença as eleições, uma “ofensiva de deportação e remigração” – termo que sugere a devolução de migrantes já estabelecidos na Alemanha a seus países de origem.
“Muitos participantes relatam que estão cada vez mais com medo de atos hostis” , disse Saaeid Saaeid, do Conselho de Refugiados , à emissora pública ARD. “O que é importante para nós é que ninguém deveria ter que provar, por meio do trabalho ou da produção econômica, que pertence a esta sociedade” , sublinhou.
O objetivo dos protestos é chamar a atenção para a falta que as empresas administradas por migrantes fariam se não existissem, afirmou uma co-organizadora dos atos à DW .
Ela lembrou que os migrantes mantêm os serviços de assistência em funcionamento, entregam encomendas e trabalham na construção civil e na indústria.
“Não queremos ser vistos apenas como trabalhadores, mas como pessoas com todas as suas necessidades” , disse a organizadora, que trabalha como assistente social.
A campanha eleitoral no estado foi marcada por um acirramento do debate político , “no qual o senso de pertencimento das pessoas é cada vez mais questionado com base em sua origem ou histórico migratório” , afirmou o conselho, que também advertiu que os apelos por “deportações em massa e a exclusão de pessoas com histórico migratório de nossa sociedade” geraram “medo e incerteza” .
“Queremos viver em uma sociedade onde a origem de alguém não determine a quem pertence.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.