MPF aponta cobrança de 1 kg de ouro por mês para liberar balsas de garimpo em terra Yanomami
Um suposto esquema de cobrança de propina teria permitido a operação ilegal de balsas de garimpo na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, entre 2012 e 2014. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o valor cobrado chegava a 1 quilo de ouro por mês para cada balsa que atuava no rio Uraricoera.
De acordo com a acusação, dois então servidores da Funai, João Batista Catalano e Paulo Gomes da Silva, conhecido como “Paulão”, participavam do esquema. Eles são acusados de cobrar propina e antecipar informações sobre operações de fiscalização, permitindo que os garimpeiros escondessem as balsas antes da chegada das equipes.
Inicialmente, o chamado “pedágio” seria de 30 a 40 gramas de ouro, mas teria aumentado posteriormente para 1 quilo por balsa. Quem não pagasse, segundo o MPF, sofreria ameaças de ter a estrutura destruída.
Além dos ex-servidores, quatro garimpeiros são réus no processo: Pedro Emiliano Garcia, o “Pepe Prancheta”; Luiz Florentino Teixeira, o “Banana”; Odenival da Silva Gonçalves, o “Carneiro”; e Antônio de Almeida Oliveira. Três deles são apontados como intermediários na arrecadação e entrega do ouro.
O MPF pediu a condenação dos acusados, além de indenização pelos danos e confisco do ouro e dos instrumentos obtidos ilegalmente. Parte das acusações prescreveu devido ao tempo transcorrido, mas ainda permanecem processos relacionados à propina, exploração ilegal de ouro e organização criminosa.
As defesas de alguns dos réus contestam as acusações e alegam falta de provas suficientes para condenação.
O processo tramita na 4ª Vara Federal Criminal de Roraima e aguarda sentença.
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