IA de ponta ameaça estabilidade financeira global, diz entidade fiscalizadora
A evolução da inteligência artificial pode aumentar o risco de uma crise no sistema financeiro internacional, alertou Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra e do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB).
O alerta faz parte de uma carta endereçada a ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, enviada na sexta-feira (28).
"Para o sistema financeiro, a preocupação mais imediata é o impacto potencial da IA de fronteira no risco cibernético", afirmou Bailey.
Segundo o executivo, a IA de fronteira pode ter a capacidade de alterar substancialmente a velocidade, a escala e a dinâmica econômica do risco cibernético, o que poderia "comprometer a confiança no mercado em todo o sistema" devido à alta presença de prestadores de serviços terceirizados.
A rápida evolução da inteligência artificial representa riscos para o sistema financeiro internacional. (Fonte: Kenneth Cheung/Getty Images) Este seria o risco mais imediato da inteligência artificial para a estabilidade financeira , ressaltou Bailey.
Além disso, uma perturbação cibernética pode se propagar entre jurisdições por meio de fornecedores de tecnologias comuns, considerando a forte conectividade do setor financeiro.
O Conselho de Estabilidade Financeira é um órgão internacional que coordena o trabalho de autoridades financeiras e organismos internacionais no mundo inteiro.
A entidade é composta por autoridades financeiras de diferentes países – o Brasil é membro do grupo desde 2009.
No texto, Bailey ressalta que empresas e autoridades devem se preparar para um cenário de ameaças caracterizado por um maior volume de vulnerabilidades e pela necessidade de aplicar correções de segurança em ritmo mais acelerado.
"A IA de fronteira oferece oportunidades significativas para fortalecer a defesa cibernética; no entanto, desenvolvimentos recentes ressaltam a importância de garantir que os avanços em capacidade sejam acompanhados por resiliência e preparação adequadas", continuou.
Bailey recomenda fortalecer a gestão de vulnerabilidades Ainda no texto, o presidente do FSB menciona que instituições financeiras, mantenedores das infraestruturas do mercado financeiro e provedores de tecnologia fortaleçam a gestão de vulnerabilidades e as capacidades de resposta e recuperação , bem como se preparem para cenários mais graves que envolvam a interrupção simultânea de múltiplas empresas ou dependências compartilhadas.
"Esses desdobramentos reforçam a importância de capacidades de resposta e recuperação – incluindo a habilidade de restaurar sistemas e dados críticos a partir do zero após um ataque cibernético", declarou Bailey.
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