Juízas recebem menos que homens em 86% dos tribunais de Justiça, aponta pesquisa
Juízas e desembargadoras recebem menos que seus colegas homens em 86% dos tribunais de Justiça do país, segundo pesquisa da organização Justa.
A diferença aparece mesmo quando comparados magistrados que ocupam o mesmo cargo.
Ao longo de dois anos, 14 pagamentos mensais superiores a R$ 1 milhão foram registrados nos tribunais analisados, e todos foram feitos a homens.
Saiba as últimas notícias de Curitiba e Paraná: entre na comunidade do Bem Paraná A maior diferença da média da remuneração foi encontrada entre desembargadores de Rondônia: os homens recebem, em média, R$ 56,8 mil a mais por ano.
Entre as juízas de primeiro grau, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais apresentou a maior diferença.
A mediana anual de rendimento líquido de uma juíza mineira é R$ 18,1 mil menor do que a de um juiz no mesmo cargo.
O estudo da Justa, organização da sociedade civil que pesquisa e discute os sistemas de Justiça, analisou mais de 300 mil registros de pagamentos de membros ativos da magistratura estadual, publicados nos portais de transparência de 25 dos 27 tribunais de Justiça do país, entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025.
Não há informações sobre Santa Catarina, que não permitiu a exportação estruturada dos dados, nem sobre o Amapá, que não havia publicado as folhas de pagamento de dezembro de 2025 até o fechamento da pesquisa, em junho de 2026.
Para a faixa de pagamentos entre R$ 500 mil e R$ 1,7 milhão por mês, foram registrados 83 casos ao longo dos 24 meses.
Desse total, 82% foram destinados a homens.
Para a diretora-executiva da Justa, Luciana Zaffalon, a diferença de pagamentos é um sinal de que também há desigualdade na distribuição de poder dentro dos tribunais.
“A distribuição de recursos acompanha a distribuição de poder”, afirmou Zaffalon.
Segundo ela, a diferença de remuneração está ligada à nomeação de homens para cargos de confiança e posições de cúpula nos tribunais, que dão direito a pagamentos adicionais.
Dos 27 tribunais estaduais, quatro são atualmente presididos por mulheres: Espírito Santo, Paraná, Sergipe e Tocantins.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.