Pedreiro elogiado por juiz diz que sempre gostou de estudar: 'Sou curioso'
O pedreiro Edilson Takahara, 49, que surpreendeu os juízes ao assumir a própria defesa em uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, no último dia 17 de agosto, afirmou que se dedicou por cerca de 50 horas para estudar o próprio caso e que não esperava receber elogios dos magistrados.
Edilson contou que assumiu a própria defesa após um advogado deixar o processo ser extinto. Em entrevista ao UOL , o pedreiro lembrou que o profissional foi negligente e abandonou o caso sem resolução de mérito. "Ele não me avisou nada", disse.
No início de 2024, o pedreiro afirmou que conseguiu ajuizar novamente o processo. Na época, ele disse que descobriu o "jus postulandi", o direito que a parte tem de entrar com um processo e se defender na Justiça sozinha, sem precisar de um advogado. "Foi espontâneo, eu não tive preparo com intenção de estudar para entrar na área do direito, eu só queria a resolução do meu caso", afirmou.
Ele ressaltou que chegou a procurar por quatro vezes a construtora que prestou serviço, mas não houve acordo. "Mandaram eu ir para a Justiça, e foi o que eu fiz", disse. "Fui batalhando, lendo sozinho, usei bastante inteligência artificial para me ajudar", disse.
Edilson Takahara calcula que se dedicou aos estudos por cerca de 50 horas. Ele também conversou com outras pessoas, incluindo advogados. "Eu fui razoavelmente preparado porque eu sabia que em toda fase do processo eu tinha que ser objetivo, não adiantava chegar lá e xingar. Tem que falar simplesmente do jeito que aconteceu, fui preparado e consciente disso", contou.
Edilson disse que não esperava a reação dos juízes. "Eu não imaginava que ia receber elogios. Eu fiquei surpreso. A única coisa que eu pesquisei antes sobre essa questão de não ter advogado foi a estatística. Acabei descobrindo que no Brasil poucas pessoas que optam por esse caminho têm sucesso".
Para ele, mais difícil do que assumir a sustentação oral, foi ter que comprar a roupa adequada para o dia da audiência. "Foi uma batalha, eu tive muita dificuldade, não queria comprar", afirmou.
O pedreiro sustentou seus argumentos pelo reconhecimento de vínculo de emprego. Antes de iniciar sua fala, ele afirmou que precisou estudar a legislação trabalhista do Brasil, mesmo após algumas pessoas dizerem que ele não aprenderia. "Para mim, não é tão fácil, acho que todo mundo sabe disso. Porque eu tive que me esforçar para vencer essa barreira de criar coragem de vir até aqui, mesmo com todo mundo dizendo: 'Olha, não adianta, você não vai saber falar'. Então, eu me esforcei estudando o básico em relação à CLT, em relação ao meu caso", relatou ele.
A hora em que eu cheguei lá, procurei falar com naturalidade, falar da maneira mais rápida possível. Fiz o resumo e levei anotado os quatro pontos que eu queria mencionar, mas acabei só falando dois, que eram os principais, com foco em esclarecer que eu não era um profissional autônomo. Edilson Takahara
Edilson Takahara, que é natural do Paraná, diz que começou a trabalhar na obra em setembro de 2023. Ele havia acabado de chegar com a família para morar em Manaus e não tinha emprego.
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