Economista prevê recessão nos EUA ainda este ano e vê risco de nova crise global
A economia dos Estados Unidos pode entrar em recessão antes do fim deste ano.
Ou, no limite, no início de 2027, caso o elevado nível de endividamento e alavancagem do sistema financeiro desencadeie uma correção abrupta nos mercados.
Essa é a avaliação do economista finlandês Tuomas Malinen, professor da Universidade de Helsinque e especialista em crises financeiras.
Malinen, que também dirige a consultoria GnS Economics, sustenta que o sistema financeiro americano acumulou riscos suficientes para transformar uma desaceleração econômica em uma crise de maiores proporções.
Na sua avaliação, o problema não está apenas na dívida das empresas, mas também no uso intenso de recursos emprestados por fundos e investidores para ampliar suas posições nos mercados.
A previsão contrasta com o cenário predominante em Wall Street, onde boa parte dos analistas continua projetando crescimento para a economia americana e vê a inteligência artificial como um dos principais motores dos lucros corporativos e do mercado acionário.
Continua após a publicidade Para Malinen, no entanto, a combinação de dívida, ativos valorizados e uma eventual recessão pode expor fragilidades que ficaram encobertas durante anos de abundância de liquidez.
“Nosso sistema financeiro extremamente alavancado nunca enfrentou uma recessão que eliminasse simultaneamente maus investimentos financeiros e econômicos”, escreveu o economista.
O risco está na alavancagem A tese de Malinen encontra ao menos um ponto de apoio nos dados do próprio Federal Reserve.
Continua após a publicidade O relatório mais recente sobre estabilidade financeira mostra que a alavancagem dos hedge funds permanece próxima dos níveis mais altos desde o início da série histórica disponível.
O fenômeno está concentrado principalmente nos maiores fundos e envolve posições em títulos do Tesouro americano, derivativos de juros e ações.
O Banco Central americano, porém, faz uma avaliação bem menos alarmista do conjunto da economia.
Continua após a publicidade Segundo o Fed, a relação entre a dívida total de empresas e famílias e o PIB continuou caindo e atingiu níveis não vistos desde o começo dos anos 2000.
Os bancos, por sua vez, mantêm níveis elevados de capital e o sistema bancário é considerado sólido e resiliente.
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