Leilões de baterias devem deixar mais de 98% da potência inscrita de fora
Os primeiros leilões de baterias de grande porte do Brasil, previstos para dezembro, devem terminar com mais de 98% da potência cadastrada sem contratação.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recebeu 6.091 projetos, que somam impressionantes 296,8 gigawatts (GW), mas as estimativas de mercado apontam para uma contratação de apenas 2 GW a 5 GW.
Isso significa que, mesmo no cenário mais otimista dessa faixa, menos de 2% da capacidade inscrita conseguiria contratos.
A disputa pode movimentar bilhões de reais em investimentos, mas há um problema adicional: parte dos interessados ainda não sabe se conseguirá transformar seus projetos em negócios rentáveis.
A diferença entre a oferta e a demanda esperada ajuda a explicar o tamanho da seleção.
Mas não é o único obstáculo.
Juros elevados, indefinições sobre a distribuição dos custos e exigências de implantação podem reduzir o número de concorrentes efetivos.
O cadastramento, afinal, não representa um compromisso definitivo de investimento.
A portuguesa EDP, por exemplo, inscreveu projetos que somam cerca de 750 megawatts (MW), mas ainda avalia quantos levará efetivamente à disputa.
Em entrevista ao Radar Econômico, o presidente da companhia no Brasil, João Brito Martins, alertou para as incertezas sobre a remuneração e os encargos associados aos empreendimentos.
“Talvez o principal seja definir quem é que pagará essa conta”, afirmou o executivo.
Segundo Martins, a indefinição pode levar empresas a exigir remuneração mais elevada para compensar os riscos ou até a desistir da competição.
Continua após a publicidade Há também o peso dos juros.
Com títulos públicos oferecendo retornos próximos de IPCA mais 8% ao ano, empreendimentos de infraestrutura precisam apresentar rentabilidade suficiente para compensar os riscos de construção e operação.
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