Futebol total com Pedro e Arrasca sobe sarrafo e gera desafio ao Flamengo
Ao mesmo tempo em que o torcedor teve um sabor que faz a arquibancada pulsar e almejar mais taças em 2026, o Flamengo cria para si um bom desafio: repetir esse comportamento que já o levou às quartas da Libertadores e o fez tirar a gordura do Palmeiras na briga pela liderança do Brasileirão.
O time de Leonardo Jardim vive um momento de alta de desempenho. E uma tecla muito batida é intensidade.
Diante do Cruzeiro, muito além da chuva de finalizações — 15 no primeiro tempo —, o Fla teve uma postura bem agressiva na marcação, ganhando duelos e encurralando o adversário no próprio campo.
O detalhe é que essa combinação tática, técnica e comportamental se deu com a dobradinha de Pedro e Arrascaeta lá na frente.
"Só quem viu e esteve no estádio sabe que nós fizemos uma grande primeira parte. Uma primeira parte com uma pressão muito alta, com todo mundo procurando a bola, mesmo no campo do adversário. Depois, com uma boa qualidade técnica. Mesmo com o Arrascaeta e com o Pedro, que muitas vezes havia dúvidas se eles não eram capazes de pressionar, e a gente vê que também é possível", elogiou o técnico Leonardo Jardim.
O DNA de controle de jogo do Flamengo, que marcou o período vencedor com Filipe Luís, ganhou traços mais verticais no jogo com o técnico português.
Quando Leonardo Jardim menciona Pedro e Arrascaeta, é porque os dois — embora geniais, vide o jeito que o Flamengo venceu o Cruzeiro — não são conhecidos por trazerem um altíssimo nível de intensidade sem a bola.
O comportamento de Pedro mudou nos últimos anos. Ele passou a ser um atacante muito mais participativo sem a bola, acrescentando um lado mais combativo ao repertório de passes e gols decisivos.
De todo modo, é por ser menos intenso do que Bruno Henrique que Jardim vira e mexe ajusta a estratégia para contar com o camisa 27 como centroavante — algo que Filipe Luís também já fazia.
Com Jardim, Pedro e Arrascaeta foram titulares simultaneamente em 11 jogos. A rotação do time e a lesão de Arrasca em abril atrapalharam essa sequência em 2026.
O Flamengo não perdeu. Além da final do Carioca, que teve vitória nos pênaltis, foram oito vitórias. E no recorte mais recente, além do atropelo do primeiro tempo contra o Cruzeiro, tem o 2 a 0 sobre o Vitória, mas também o empate com o Internacional.
O empate em Porto Alegre fez parte instabilidade momentânea que apareceu após a Copa do Mundo. Só que agora, a engrenagem parece ter ficado até melhor do que no primeiro semestre. Samuel Lino também ajuda a dar essa rotação alta na frente.
Mas o sucesso dos movimentos em campo e da execução técnica está diretamente ligada à parte física. Jardim já avisou: não vê em Pedro e Arrascaeta a condição de jogarem com intensidade alta ao longo de 90 minutos, por dois ou três jogos seguidos. Aí, em nome do coletivo, é preciso rodar o time.
"Nós queremos essa energia. Eu acredito nessa energia coletiva do time. Acredito nessa energia em que o jogador que está fora, quando entra, dá intensidade ao jogo, dá qualidade. E eu, como gosto de jogar, e vocês sabem bem, uma das minhas formas de jogar é através da intensidade. Todas equipes que treinei tiveram outra intensidade.
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