Milhares de lagos no Himalaia agora são ameaça mortal
Ameaça mortal: dilúvios repentinos mesmo com o tempo firme.
O aquecimento global e o derretimento das geleiras criou milhares de lagos instáveis no Himalaia, o que leva cientistas a dizerem que a tragédia das últimas horas no Tibet e no Nepal reflete ameaça futura a moradores dos vales da região.
No Monte Everest, o derretimento de gelo fez o acampamento da base “cair” 70 metros desde os anos 80 do século passado.
Numa reportagem especial publicada em novembro do ano passado, o New York Times fez um alerta a turistas: Em toda a cordilheira do Himalaia, que está aquecendo rapidamente, o derretimento das geleiras está criando milhares de lagos em grandes altitudes — e, consequentemente, milhares de novas oportunidades para que avalanches e terremotos causem destruição.
Quando rochas ou neve caem sobre uma geleira congelada, nada de muito grave acontece.
Mas, à medida que o gelo derrete e forma um lago, esses mesmos objetos que caem podem desencadear uma inundação que ameaça vilarejos, pousadas turísticas, usinas hidrelétricas e tudo o mais em seu caminho.
Foi justamente o que aconteceu hoje.
Um bloco de gelo de 600 metros teria se deslocado, represando um rio até que o gelo, a neve, a água, a lama e as pedras desceram montanhas abaixo, levando tudo de arrasto.
No ano passado, fenômeno parecido, de menor escala, devastou o vilarejo de Thame, no Nepal.
Montanhas instáveis A morte de uma geleira é lamentada por geólogos como a morte de uma espécie animal.
O risco que causa aos humanos pode ser devastador, como explicaram os autores da reportagem: O problema é a água do degelo.
À medida que uma geleira encolhe, ela libera água que se acumula na tigela de terra onde antes ficava o gelo, formando um lago.
Mas a terra e as pedras ao redor desta tigela estão soltas e quebradiças.
E então talvez um dia haja um deslizamento de terra.
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