Mercado reduz projeção da inflação, mas ainda vê só mais um corte da Selic
Após a deflação de 0,32% registrada em agosto , os analistas do mercado financeiro consultados para a formulação do Boletim Focus, realizado pelo BC (Banco Central), reduziram, pela terceira semana consecutiva, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2026.
Mesmo com a atualização, a expectativa para a taxa básica de juros permanece estável, com a previsão de apenas mais um corte neste ano, a ser anunciado na reunião da próxima quarta-feira (16), de 14% para 13,75% ao ano.
Mercado financeiro prevê inflação em 4,90% no fim deste ano. O percentual corresponde a uma menor expectativa para o índice oficial de preços desde maio para o IPCA acumulado nos 12 meses finalizados em dezembro. Na semana passada, os analistas previam alta de 5,0% dos preços. Há quatro semanas, a projeção sinalizava alta de 5,02% do índice oficial de preços.
Nova estimativa surge após deflação registrada em agosto. A variação negativa de 0,32% do IPCA foi registrada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A deflação foi puxada pela queda de preços das tarifas de energia elétrica (-7,63%) e dos alimentos (-0,34%) na comparação com julho.
Previsão ainda indica que a inflação vai superar o teto da meta. Apesar dos recuos recentes, o índice deve fechar o ano acima do intervalo estabelecido pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para o índice oficial de inflação, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%).
Perspectivas apontam para aceleração dos preços em setembro. Após a deflação, os analistas projetam uma alta de 0,5% do IPCA neste mês. O efeito rebote da volta das cobranças integrais das contas de luz e os primeiros efeitos do El Niño sobre os alimentos são apontados como fatores que vão pressionar a inflação deste mês.
Analistas elevam expectativas de inflação para o ano que vem. Para 2027, as projeções apontam para alta de 4,30% dos preços da economia nacional, percentual 0,01% superior à expectativa da semana passada. Já para 2028 e 2029, as projeções permanecem em 3,80% e 3,50%, respectivamente.
Relatório mantém a previsão para a taxa Selic ao final de 2026. Mesmo com as estimativas de perda de ritmo da inflação, as expectativas mostram que a taxa básica de juros ainda deve cair 0,25 ponto percentual neste ano, dos atuais 14% ao ano para 13,75% ao ano. A redução é prevista para a reunião da próxima quarta-feira (16).
Juros são a principal ferramenta de política monetária contra a inflação . A elevação da taxa Selic é utilizada como alternativa para limitar o consumo e, consequentemente, conter o avanço do IPCA. Por outro lado, quando a Selic recua, ela estimula o consumo e os preços tendem a subir devido à demanda maior por bens e serviços.
Projeções para 2027, 2028 e 2029 também permanecem estáveis. As perspectivas dos analistas do mercado financeiro mostram a taxa básica de juros em 12%, 10,5% e 10% ao ano, respectivamente.
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