Conteúdo “saudável” nas redes pode incentivar restrições alimentares, aponta estudo
Estilo de vida saudável (Foto - Reprodução) Fotos de refeições coloridas, listas de alimentos considerados “limpos”, receitas com poucas calorias e rotinas alimentares extremamente regradas fazem parte da paisagem das redes sociais.
O problema é que, por trás de um discurso aparentemente voltado ao bem-estar, podem existir mensagens que associam saúde à restrição, à aparência e à necessidade de seguir regras rígidas para comer.
Um estudo recente da Flinders University analisou 300 publicações populares do TikTok e Instagram e encontrou uma presença significativa desses padrões.
Publicado no Journal of Technology in Behavioral Science, o estudo analisou vídeos associados às hashtags #healthylifestyle (estilo de vida saudável), #nutrition (nutrição) e #cleaneating (alimentação limpa).
Cerca de 29% apresentavam regras ou restrições alimentares, enquanto aproximadamente 20% utilizavam uma linguagem que classificava alimentos ou escolhas alimentares como “bons” ou “ruins”.
Os pesquisadores também encontraram uma forte associação entre alimentação, aparência física e a ideia de que determinados hábitos seriam capazes de produzir um corpo considerado ideal.
Esse tipo de conteúdo pode se aproximar do conceito de ortorexia nervosa, usado para descrever uma preocupação excessiva com a alimentação considerada saudável ou pura.
Ter interesse por nutrição ou fazer escolhas alimentares equilibradas, por si só, não representa um problema.
A preocupação aparece quando a alimentação passa a ser acompanhada de rigidez, culpa ou necessidade constante de seguir determinadas regras.
Os resultados também dialogam com pesquisas anteriores.
Um estudo publicado no Journal of Nutrition Education and Behavior, que analisou os 250 vídeos mais populares com a hashtag #HealthyLifestyle no TikTok, encontrou presença de mensagens relacionadas à perda de peso, objetificação corporal e dietas específicas.
Os pesquisadores observaram que conteúdos aparentemente positivos sobre saúde frequentemente coexistiam com mensagens relacionadas à cultura da dieta e à insatisfação corporal.
Outro estudo, publicado na revista Appetite, analisou 114 receitas apresentadas como “saudáveis” no Instagram e classificou apenas três como refeições principais equilibradas segundo os critérios utilizados pelos pesquisadores.
A maioria foi considerada parcialmente desequilibrada ou desequilibrada, muitas delas com caráter restritivo ou baixo valor energético.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhabv.com.br — o conteúdo pertence a Folha de Boa Vista.