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Política

Polvo coloca o braço dentro de uma fenda sem conseguir ver o que está ali e ainda consegue distinguir comida usando apenas o contato das ventosas

O Antagonista ·
Polvo coloca o braço dentro de uma fenda sem conseguir ver o que está ali e ainda consegue distinguir comida usando apenas o contato das ventosas

Experimentos revelam que receptores químicos permitem aos polvos reconhecer sinais de caranguejos e camarões escondidos, mesmo sem utilizar a visão

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Escondidos entre rochas e corais, caranguejos e camarões podem escapar dos olhos dos predadores. Para os polvos, porém, isso não significa proteção completa. As ventosas do polvo conseguem reconhecer sinais químicos de possíveis presas apenas pelo contato, permitindo distinguir alimentos de outros materiais mesmo quando o animal não consegue enxergá-los.

Um polvo pode localizar uma abertura estreita e introduzir um dos braços sem conseguir observar seu interior. Enquanto explora o espaço, suas ventosas entram em contato com diferentes superfícies e recolhem informações que ajudam a orientar a procura.

Essa capacidade é especialmente importante para animais que caçam no fundo do mar. Embora possuam visão desenvolvida, muitas presas permanecem escondidas em fendas, conchas e pequenos abrigos. Nesses ambientes, reconhecer substâncias químicas diretamente pelo contato oferece uma vantagem importante.

Em experimentos com Octopus bimaculoides, cientistas apresentaram amostras contendo extratos de caranguejos, camarões, estrelas-do-mar, algas e água marinha. Os materiais foram colocados dentro de uma estrutura artificial opaca, que impedia os animais de observar diretamente os objetos.

Os resultados revelaram diferenças comportamentais. Diante de substâncias provenientes de presas, os polvos mantiveram suas ventosas em contato por mais tempo e realizaram mais movimentos de curvatura dos braços, indicando discriminação química entre os estímulos apresentados.

O desenho experimental permitiu separar diferentes informações sensoriais:

Em um vídeo científico da Nature, pesquisadores demonstram como os braços dos polvos reconhecem substâncias químicas durante a exploração de superfícies e explicam os receptores envolvidos nesse comportamento.

As ventosas possuem células sensoriais especializadas capazes de perceber características mecânicas e químicas. Algumas respondem ao contato físico, enquanto outras detectam determinadas moléculas presentes nas superfícies. Esse mecanismo recebe o nome de quimiorrecepção por contato.

A comparação com o paladar humano ajuda a compreender o fenômeno, mas existem diferenças importantes. Os polvos utilizam receptores especializados para reconhecer compostos presentes no ambiente marinho, incluindo moléculas pouco solúveis em água. Dessa forma, tocar uma superfície também pode fornecer informações sobre sua composição química.

O estudo original publicado no Journal of Comparative Physiology A , em abril de 2022, foi conduzido por Kendra Buresch, Roger Hanlon e colaboradores do Marine Biological Laboratory, da Northeastern University e da Millersville University, nos Estados Unidos.

Para controlar diferenças de textura, os pesquisadores incorporaram os extratos em agarose, uma substância gelatinosa. Também impediram o acesso visual e reduziram pistas químicas percebidas à distância.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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