Permiti que você ficasse, e vivemos uma relação tóxica
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Nunca quis te conhecer em profundidade. Vivíamos bom momentos, e você foi me deixando confiante de que seria um parceiro fiel. Foi assim por alguns anos. Você me ajudava e fui me deixando levar.
Fomos juntos a tantas festas. Eu me divertia, me descontraía, mas então a sua presença foi dominando meu jeito de ser. Modifiquei meus atos e fiquei refém dos seus.
Conforme o tempo passava, eu não conseguia mais viver sem você. A sua ausência me causava um mal-estar horrível. Havia alegria na nossa relação? Claro que sim. Mas à euforia se seguia certa melancolia. Por que você faz isso comigo?, eu pensava.Tanta gente que compartilhava nosso amor se dava bem (sim, nosso amor não era exclusivo). Por que comigo era diferente?
O que antes parecia escolha foi se transformando em necessidade. Já não te buscava porque queria, mas porque precisava —para comemorar, esquecer, relaxar, me sentir mais à vontade, enfrentar situações que pareciam maiores do que realmente eram. Você estava presente nos momentos felizes, mas também começou a aparecer nos momentos de tristeza, ansiedade, frustração e solidão.
E foi aí que percebi que alguma coisa havia mudado. Você já não era apenas um convidado nas minhas festas. Não mais uma companhia eventual. Você passou a fazer parte da minha rotina , das minhas decisões.
Comecei a criar desculpas para nossa relação tóxica. Eu pararia de te procurar quando quisesse. Não era uma depedência, era uma escolha. Seus outros amantes abusavam de você mais do que eu. Eu só precisava ter mais controle. Mas, no fundo, eu sabia que estava mentindo para mim. Cada vez que tentava me afastar, você encontrava uma maneira de voltar.
Você foi ocupando espaços que antes eram meus. Tirando de mim momentos, relações, vontades e, principalmente, o controle sobre a minha vida. Algumas pessoas perceberam e tentaram ajudar. Outras se afastaram. Ou quem sabe eu mesma tenha me afastado delas. Eu escolhia você em detrimento das pessoas.
Por muito tempo, culpei você por tudo. Você havia me enganado, tinha se apresentado como amigo e terminado como inimigo. Mas hoje percebo que você entrou pela porta que eu mesma abri. Fui eu que permiti que você ficasse. Fui eu que confundi prazer com necessidade e companhia com dependência.
Talvez uma das partes mais difíceis tenha sido entender que não bastava querer me afastar. Eu precisava reconhecer que havia perdido o controle e que sozinha talvez não conseguisse recuperá-lo. Precisava parar de esconder, de justificar e de fingir que estava tudo bem.
Durante muito tempo, achei que você era meu amigo. Hoje sei que não era. Você me deu momentos de alegria, é verdade, mas cobrou um preço muito alto por eles.
Ainda carrego marcas dessa história. Ainda existem lembranças, vontades e momentos em que você tenta me convencer de que podemos voltar a ser como antes. Mas já não acredito mais em suas promessas.
Hoje, quando penso em você, não vejo mais aquele companheiro que fazia tudo parecer mais divertido.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.