Câncer de próstata: vergonha é deixar o preconceito vencer a prevenção
A morte por câncer sempre deixa perguntas.
Quando se trata de uma doença em que o diagnóstico precoce pode fazer enorme diferença no tratamento, fica também uma reflexão incômoda: quantas vidas poderiam ser prolongadas se o acompanhamento médico não fosse interrompido? Recentemente perdi um amigo muito querido para o câncer de próstata.
Tinha apenas 58 anos.
Estava no melhor da vida, cercado pela família e vivendo uma das alegrias que mais valorizava: curtir os dois netinhos.
Ele não era um homem que tinha vergonha de médico ou que se recusava a fazer exames.
Pelo contrário.
Cuidava-se e fazia acompanhamento.
Mas houve uma interrupção nesse processo durante o período da pandemia, quando consultas, exames e tratamentos de milhões de pessoas acabaram adiados ou deixados para depois.
No caso dele, não cabe afirmar que essa interrupção determinou o desfecho da doença.
Seria uma conclusão que somente médicos, conhecendo todo o histórico clínico, poderiam fazer.
Mas sua história deixa um alerta poderoso: o acompanhamento da saúde não pode ser abandonado por longos períodos, especialmente depois de determinada idade ou quando existem fatores de risco.
O câncer não respeita calendário.
Não espera a vida voltar ao normal.
E essa experiência pessoal me fez pensar também em outro problema que ainda precisa ser enfrentado: a resistência de muitos homens aos exames preventivos, especialmente ao toque retal.
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