Juros altos que sufocam Casas Bahia atingem concorrência; vestuário respira
A crise que levou a Casas Bahia, grupo varejista, a pedir recuperação judicial após prejuízo de quase R$ 10 bilhões no segundo trimestre, atinge também outras empresas do setor dedicadas à venda de móveis, eletrônicos e eletrodomésticos. Segundo profissionais de mercado, os balanços do segundo trimestre mostram que o segmento de supermercados também sofreu, ainda que menos, enquanto o de vestuário foi mais resiliente ao ambiente de juros elevados, graças à Copa.
Varejistas de bens duráveis e semiduráveis reportam maiores perdas. Os balanços do segundo trimestre mostraram prejuízos relevantes das empresas Casas Bahia (R$ 10 bilhões), Americanas (R$ 274 milhões) e Magazine Luiza (R$ 50,4 milhões). Os resultados foram determinantes para o setor ser listado entre os principais destaques negativos da temporada.
Cenário adverso impacta de forma diferente o desempenho dos segmentos varejistas. A análise do BTG aponta que sete das 17 empresas do setor tiveram resultados "fracos" e três apresentaram desempenho "neutro". A classificação é originada pelos resultados distintos entre as atividades do setor. A avaliação é também partilhada pelos economistas Daniel Geweh , Matheus Marques e Raphael Matutani , do Itaú. Eles ressaltam que o lucro líquido das empresas do segmento caiu 10,7% em um ano e ficou 18,5% abaixo das expectativas do mercado financeiro.
Elevado patamar dos juros é principal desafio do segmento. A política monetária restritiva reapresenta uma barreira para as varejistas dedicadas às vendas mais dependentes das linhas de crédito para os parcelamentos. Em seu balanço, a Casas Bahia lamenta o "ambiente macroeconômico e de crédito mais desafiador" e vê o cenário como determinante para a queda de 3,2% das vendas em suas lojas físicas.
O varejo tem um ciclo financeiro ruim. Eles [varejistas] pagam as compras em 120 ou 150 dias, mas financiam a operação, principalmente da linha branca, entre 12 e 24 meses. [...] Nas Casas Bahia, apesar do lucro operacional muito bom, o custo financeiro praticamente ultrapassa esse valor. Valdo Silveira, CEO da Leme Inteligência Forense
Endividamento elevado impacta redes de varejo. Em relatório assinado por seis analistas, o BTG Pactual destaca que o atual patamar da taxa Selic, de 14% ao ano, passou a consumir o resultado das empresas devido ao pagamento de juros das dívidas. O cenário pressiona a lucratividade, independentemente do volume de vendas. "A taxa Selic encerrou junho em 14,25%, mantendo os custos de financiamento elevados e continuando a limitar a conversão para o lucro líquido", diz a análise.
Vendas online e marketplace não são suficientes para compensar impacto dos juros. O alcance do comércio eletrônico entre abril e junho é visto como insuficiente para solucionar a crise do setor. "No e-commerce, o ambiente permaneceu desafiador de forma geral, com os players locais ainda enfrentando um crescimento online pressionado em meio à intensa concorrência", avaliam Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, analistas da XP Investimentos.
Empresas de vestuário tiveram melhor desempenho no varejo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.