Itaipu acumula US$ 1,67 bi e especialistas cobram alívio na conta de luz
Três anos depois de quitar a dívida que financiou sua construção, a Itaipu Binacional encerrou 2025 com US$ 1,67 bilhão em caixa, um salto de quase 68% em relação ao ano anterior.
O volume de recursos acumulados colocou no centro da discussão o custo da energia da usina: especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a binacional está cobrando acima do necessário e calculam que parte desse dinheiro poderia reduzir em cerca de 4% as tarifas dos consumidores atendidos pela energia de usina.
A empresa contesta essa interpretação.
A Itaipu afirma que não há retenção indevida de recursos e sustenta que o caixa está vinculado a obrigações e despesas previstas no orçamento aprovado para o período de 2024 a 2026.
No fim de 2024, a binacional tinha US$ 997 milhões em caixa e equivalentes.
Ao longo de 2025, as disponibilidades cresceram US$ 674,4 milhões , levando o saldo aos atuais US$ 1,67 bilhão.
O aumento ocorre em um momento particular da história financeira da hidrelétrica.
A dívida contraída para sua construção foi totalmente quitada em 2023, retirando do custo da usina um compromisso financeiro que durante décadas foi compulsoriamente por força de lei cobrado dos consumidores .
Pelas regras do Anexo C do Tratado de Itaipu , a receita anual decorrente dos serviços de eletricidade deve ser estritamente suficiente para cobrir o custo do serviço.
O próprio anexo estabelece ainda que o saldo positivo ou negativo da Conta de Exploração do exercício anterior seja inserido no cálculo do ano seguinte.
É justamente essa combinação — dívida quitada, caixa crescente e manutenção da tarifa elevada — que tem alimentado questionamentos sobre quanto a energia de Itaipu deveria custar aos consumidores brasileiros.
O debate ocorre em meio a fortes aumentos na conta de luz em regiões que recebem energia de Itaipu.
Em 2026, a Copel, que atende 5,32 milhões de imóveis no Paraná, teve alta média de 20,51%; na Enel SP, com 8,92 milhões de imóveis , o reajuste foi de 10,18%.
Já a Light, que atende 3,96 milhões de unidades no Rio de Janeiro , teve aumento médio de 8,59%.
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