Promotoria argentina denuncia caos entre equipe médica que abandonou Maradona 'à própria sorte'
A internação domiciliar durante a qual Diego Maradona morreu foi "uma organização caótica" da equipe médica, que colocou o ex-jogador "em uma situação de desamparo, deixando-o à própria sorte", disse nesta quinta-feira (8) o promotor responsável pelo julgamento da morte do ídolo argentino, na reta final de um processo longo.
A equipe que cuidava de Maradona em seus últimos dias de vida é acusada de homicídio com dolo eventual, que implica que eles estavam cientes de que suas ações ou omissões poderiam causar a morte do astro.
Segundo Patricio Ferrari, um dos promotores do caso, os integrantes da equipe médica "infringiram os deveres de seu cargo, praticaram ações contrárias à arte de curar, omitiram todos os atos que deveriam executar e colocaram Maradona em uma situação de desamparo, deixando-o à própria sorte".
"Havia um grupo de improvisados que em todo momento esqueceu que estava cuidando de um paciente vulnerável e complexo", disse Ferrari no início dos argumentos, na presença das três das filhas de Maradona.
De um lado da sala, lotada de público e jornalistas, estavam os sete profissionais de saúde (entre eles dois médicos, uma psiquiatra, um psicólogo e um enfermeiro) que são julgados desde abril em um tribunal de San Isidro, na periferia norte de Buenos Aires.
Após quase 45 audiências e mais de 100 depoimentos entre testemunhas e réus, "o núcleo histórico da acusação permaneceu intacto", segundo o promotor.
Maradona morreu aos 60 anos em 25 de novembro de 2020, em decorrência de um edema pulmonar e uma parada cardiorrespiratória durante uma internação domiciliar em Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires.
O astro se recuperava de uma cirurgia bem-sucedida para tratar um hematoma subdural na cabeça.
O julgamento entra em sua reta final nesta quinta-feira e deve se estender por duas semanas.
Os réus são acusados de crimes que preveem penas de até 25 anos de prisão.
A Promotoria sustenta que a morte de Maradona não foi um evento súbito e critica as condições da internação domiciliar. "A morte era evitável e o atendimento médico foi inadequado", disse em sua alegação o outro promotor do caso, Cosme Iribarren.
"É a cronologia de uma morte anunciada que temos diante de nós", disse Iribarren ao apontar para as fotos do corpo de Maradona exibidas durante sua argumentação.
"Esta imagem é o fim de toda a atividade e não atividade realizada por pessoas que deveriam estar encarregadas da saúde do paciente", acrescentou.
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