Em uma região da Grécia onde o fundo do mar chega a cerca de 65 metros e terremotos podem deslocar o terreno, uma ponte de mais de 2 quilômetros precisou ser apoiada sobre fundações gigantes sem encontrar rocha firme mesmo a 100 metros de profundidade
Tubos de aço, bases de 90 metros e sistemas para movimentos sísmicos permitiram erguer a travessia sobre sedimentos profundos no Golfo de Corinto
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No estreito que separa Rio de Antirrio, no oeste da Grécia, engenheiros enfrentaram uma combinação incomum de água profunda, sedimentos fracos e elevada atividade sísmica. Na construção da Ponte Rio–Antirrio , sondagens avançaram cerca de 100 metros abaixo do leito marinho sem encontrar rocha firme, enquanto estudos geológicos estimaram que ela poderia estar a mais de 500 metros. A solução foi fazer as enormes fundações trabalharem sobre o próprio terreno reforçado.
A ponte atravessa aproximadamente 2,5 quilômetros de água, e seu trecho principal estaiado possui um tabuleiro contínuo de 2.252 metros. No alinhamento dos pilares, a profundidade chega a cerca de 65 metros, enquanto o subsolo é formado por camadas aluviais de argila, silte, areia e cascalho com características mecânicas relativamente fracas.
Cravar estacas até a rocha, portanto, seria impraticável. Em vez disso, os projetistas adotaram grandes caixões circulares de concreto apoiados sobre uma camada superficial de solo previamente reforçada. Essa configuração funciona de maneira diferente de uma fundação profunda convencional ancorada em um estrato rochoso resistente.
A região abaixo de cada pilar recebeu aproximadamente 150 a 200 inclusões tubulares de aço, dependendo da posição. Esses elementos tinham cerca de 2 metros de diâmetro, 25 a 30 metros de comprimento e eram instalados verticalmente em uma malha que alcançava também uma área externa ao perímetro da fundação.
Sobre as inclusões foi preparada uma camada nivelada de cascalho com aproximadamente 3 metros de espessura. As principais etapas desse sistema incluíam.
O vídeo abaixo apresenta a Ponte Rio–Antirrio e explica os desafios de engenharia enfrentados para construí-la sobre águas profundas e terreno sísmico.
Cada base principal tem aproximadamente 90 metros de diâmetro no nível do fundo marinho. Essa enorme superfície ajuda a distribuir as cargas sobre o terreno reforçado, em vez de concentrá-las em uma fundação estreita. Os caixões foram inicialmente construídos em doca seca e depois rebocados enquanto outras partes eram concretadas.
Os tubos de aço não funcionam como estacas convencionais conectadas estruturalmente à fundação. Eles atuam como inclusões para melhorar a resistência do solo. Entre seus topos e a base existe a camada de cascalho, característica essencial do conceito adotado para controlar o comportamento da fundação sob carregamentos extremos.
O Golfo de Corinto é uma região de forte atividade sísmica e também sofre movimentos tectônicos. Por isso, o projeto não buscou tornar toda a estrutura completamente rígida. O sistema foi concebido para permitir deslocamentos controlados e dissipar grandes quantidades de energia durante eventos extremos.
O tabuleiro principal é totalmente suspenso por cabos nos quatro pilares e permanece contínuo ao longo de 2.252 metros.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.