Escudo das Américas: Integração regional e integração das polícias no combate ao crime transnacional
Por Capitão PMRR Lindomar Ferreira Sobrinho Bacharel em Direito, Especialista em Comunicação Estratégica e Gerenciamento de Crises O crime organizado já não respeita as fronteiras entre os países.
Drogas, armas, dinheiro e pessoas circulam por rotas que atravessam diferentes territórios, utilizando rios, estradas, áreas de floresta, portos, aeroportos e estruturas digitais.
Diante dessa realidade, nenhum país consegue enfrentar isoladamente organizações criminosas que possuem recursos financeiros, armamentos, logística e atuação internacional.
É nesse cenário que surge o chamado Escudo das Américas (Shield of the Americas) , iniciativa liderada pelos Estados Unidos e apresentada em 2026 com o objetivo de ampliar a cooperação regional no enfrentamento aos cartéis de drogas, ao crime organizado transnacional e ao narcoterrorismo.
Independentemente das diferentes interpretações geopolíticas sobre a iniciativa, existe uma questão concreta: o crime organizado já atua de forma integrada muito além das fronteiras nacionais .
A mudança de posição da Colômbia também merece atenção.
Inicialmente fora da iniciativa durante o governo de Gustavo Petro, o país passou a sinalizar aproximação com o projeto após a eleição de Abelardo de la Espriella, fortalecendo a cooperação de segurança com os Estados Unidos.
Essa movimentação interessa diretamente ao Brasil, especialmente porque a Colômbia compartilha uma extensa fronteira com nosso país e está inserida em importantes rotas do narcotráfico na América do Sul.
E onde entra o Brasil? O Brasil mantém posição própria em relação ao Escudo das Américas, defendendo sua soberania e rejeitando a presença de forças estrangeiras no combate ao crime em território nacional.
Entretanto, cooperar não significa abrir mão da soberania .
Um Estado pode exercer plenamente sua autoridade sobre seu território e, ao mesmo tempo, compartilhar informações, combater o tráfico de armas e drogas, acompanhar movimentações financeiras e realizar ações coordenadas com países vizinhos.
Essa lógica já encontra respaldo na própria Política Nacional de Fronteiras.
O Decreto nº 12.038/2024 estabelece, entre seus princípios, a atuação integrada e coordenada, a soberania nacional, a segurança nas fronteiras e a cooperação internacional (BRASIL, 2024).
O Brasil possui aproximadamente 16,9 mil quilômetros de fronteira terrestre com dez países sul-americanos.
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