'Workslop': os trabalhos malfeitos por IA que geram retrabalho, roubam tempo e custam milhões às empresas
Workslop pode ser traduzido livremente como "trabalho desleixado".
Pexels A pressa das empresas em incorporar ferramentas de inteligência artificial ao dia a dia dos trabalhadores criou um novo problema: o relatório chega com tópicos organizados, linguagem técnica e aparência profissional, mas basta uma leitura mais atenta para perceber que ali não há nada de útil.
As conclusões são genéricas, faltam informações importantes sobre o negócio e uma nova rodada de análises, correções e ajustes se faz necessária.
Em vez de aumentar a produtividade, a IA gera retrabalho e atrasa o desenvolvimento dos profissionais — em especial, os mais novos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O fenômeno já tem nome: workslop. 📎 O termo vem da junção das palavras "work" (trabalho) e "slop" (malfeito), e pode ser traduzido livremente como "trabalho desleixado".
Ele passou a ser usado para descrever tarefas geradas por IA que — na ânsia de economizar esforço ou acelerar processos — são superficiais e oferecem pouco valor prático para quem precisa utilizá-las.
Agora no g1 Um levantamento da BetterUp Labs, em parceria com a Stanford Social Media Lab, mostrou que 40% dos trabalhadores afirmam ter recebido algum conteúdo que se enquadra no conceito de workslop.
Esse grupo estima que 15,4% de todo o material recebido se encaixe nessa categoria.
Quando esse tipo de conteúdo entra no fluxo de trabalho, cria-se um efeito em cadeia.
Alguém precisa conferir informações, corrigir erros ou simplesmente refazer parte da tarefa. 💸 Esse custo já foi medido.
Os trabalhadores gastam, em média, 1 hora e 56 minutos lidando com cada ocorrência de workslop, segundo a BetterUp Labs.
Isso representa uma perda estimada em US$ 186 por mês para cada funcionário afetado.
Em uma organização com 10 mil trabalhadores, o prejuízo anual pode ultrapassar US$ 9 milhões em produtividade desperdiçada.
Para Miguel Nicolelis, considerado um dos principais neurocientistas do mundo, há uma crença generalizada de que ferramentas de IA seriam capazes de substituir etapas importantes do pensamento humano — do trabalho ao estudo.
O resultado, afirma, é uma espécie de "atalho intelectual": tarefas que antes exigiam construção de conhecimento passam a ser delegadas a sistemas que produzem respostas nem sempre confiáveis.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.