Assassino em série condenado à prisão perpétua é libertado na Austrália
Um tribunal australiano autorizou hoje a liberdade condicional de James Vlassakis, condenado por quatro assassinatos no caso conhecido como o dos "corpos em barris".
Liberdade condicional foi aprovada por um conselho no mês passado e mantida por três juízes da Corte de Apelação da Austrália do Sul. O governo estadual tentou barrar a medida na Justiça, sem sucesso.
Vlassakis tem 46 anos e tinha 18 quando os crimes começaram, em 1998. Ele se declarou culpado por quatro mortes, incluindo as de um meio-irmão e de um irmão. Ele também atuou como testemunha-chave da acusação no processo.
Condenado à prisão perpétua com tempo mínimo de 26 anos, ele cumpriu o prazo em agosto do ano passado. O conselho chegou a conceder a liberdade condicional em dezembro, mas o governo estadual conseguiu reverter a decisão. Agora, a Corte de Apelação restabeleceu a liberação.
O procurador-geral de South Australia, Kyam Maher, disse que o governo tentou impedir a saída por causa do impacto do caso no estado. "A gravidade e o efeito que isso teve em South Australia e a necessidade de segurança da comunidade sempre foram as principais preocupações do governo estadual", afirmou Maher a repórteres.
Ele também argumentou que o trauma provocado pelos crimes justifica manter Vlassakis preso. "Isso está definitivamente marcado de forma indelével na psique de South Australia. Foram crimes horríveis cometidos contra pessoas inocentes. Famílias das vítimas, amigos e comunidades inteiras foram profundamente afetados por isso", disse.
A presidente do conselho de liberdade condicional, Frances Nelson, afirmou que a liberação só foi recomendada porque o órgão não vê risco na soltura. "Não teríamos recomendado a libertação em liberdade condicional se achássemos que ele era um risco", declarou Nelson a repórteres.
Nelson criticou a avaliação do governo de que Vlassakis representaria perigo. "Então, o procurador-geral dizer que ele apresentava um risco, eu acho que causou um alarme desnecessário na comunidade", afirmou.
As mortes ocorreram ao longo de sete anos, e a maioria dos corpos foi encontrada em 1999 em barris com ácido em Snowtown, ao norte de Adelaide. A investigação e o julgamento que terminou em 2003 chamou atenção nacional e deu ao caso o apelido de "Bodies-in-Barrels".
O líder do grupo, John Bunting, foi condenado por 11 assassinatos e recebeu pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. O vizinho dele, Robert Wagner, foi condenado por dez mortes e também foi sentenciado à prisão perpétua sem direito a condicional.
Vlassakis era enteado de Bunting, descrito no processo como o articulador dos crimes. Segundo a agência Associated Press, Bunting escolhia vítimas por suspeitar que fossem pedófilas ou homossexuais e também por desprezo a pessoas obesas e usuários de drogas. Além de matar as vítimas, eles roubavam pagamentos de benefícios sociais delas.
Bunting e Wagner tinham ligação com grupos neonazistas, segundo o relato do caso. Uma acusação de um 12º assassinato chegou a ser apresentada, mas foi retirada por falta de provas.
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