Maior surto de sarampo nas Américas em duas décadas avança e já faz vítimas no Brasil
A globalização tem várias facetas: a política, a econômica, a comportamental e também a biológica.
Esta última, invisível até impor agravos, é muito bem representada pelos vírus.
Se uma região do mundo é assolada por uma moléstia infecciosa, em tese nenhum lugar está imune ao problema.
Que o diga o sarampo, um dos patógenos mais transmissíveis de que se tem notícia.
Enquanto as pessoas estão protegidas com a vacina, ele pode ser devidamente controlado.
Mas basta uma brecha nas barreiras médicas para o microrganismo se espalhar, ameaçando sobretudo crianças pequenas.
E é essa doença, que parecia sumida em terras brasileiras, que voltou a ganhar escala recentemente, disseminada a partir da América do Norte, incluindo a nação que hoje lidera movimentos de boicote à imunização, os Estados Unidos.
O cenário é preocupante.
Já vivemos um dos maiores surtos na região nas últimas duas décadas, com ao menos 24 casos registrados no Brasil — e dezenas de milhares em países acima da Linha do Equador.
E tudo pode piorar: em um movimento que contraria a ciência, o presidente americano Donald Trump assinou uma ordem que prevê a redução dos imunizantes obrigatórios a crianças nos EUA e o desmembramento da vacina contra o sarampo para aplicação em doses separadas, o que pode afetar a adesão adequada às picadas.
A infecção se alastrou nas Américas do Norte e Central e conquistou novos terrenos com o maior fluxo de viagens propulsionado pela Copa do Mundo, cujas sedes já registravam aumento nos casos.
Até o momento, mais de 50 000 episódios foram contabilizados, mais que o triplo das notificações em 2025, sendo que 95% dos registros se concentram na Guatemala, no México, nos Estados Unidos e no Peru.
Os primeiros tentáculos do surto não poupam o Brasil.
“O sarampo é muito contagioso: entre não vacinados, um indivíduo pode passar o vírus para outros dezoito”, diz o pediatra e infectologista Renato Kfouri, presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde .
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