As sinalizações da campanha de Lula sobre o ajuste fiscal
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem como estratégia transmitir uma imagem de avanço na política fiscal em caso de reeleição do petista.
Lula, contudo, não vai defender cortes indiscriminados no orçamento do governo federal.
A orientação é apresentar a responsabilidade fiscal como compatível com a continuidade dos programas sociais, evitando que o compromisso com as contas públicas seja interpretado como uma promessa de redução dos benefícios.
A estratégia da campanha de Lula é montada em um momento em que o candidato Flávio Bolsonaro pauta o debate do ajuste fiscal, com promessas de corte de gastos, mesmo que sem detalhar suas medidas para a área.
O PT teme ficar de fora desse debate, de modo que Flávio aparentaria ser o único preocupado com a questão fiscal.
O alvo é a desconfiança de agentes do mercado financeiro e do empresariado em relação ao rumo das finanças federais.
Pegou mal quando Lula disse, em setembro, que “é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, fazer superávit, de ter controle fiscal”, durante um evento de campanha em Curitiba.
Passado o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro recebeu 47% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45%, o risco de parecer fiscalmente irresponsável ameaça as chances de reeleição do presidente.
Continua após a publicidade A campanha de Lula considera necessária, neste momento, a defesa direta de superávits primários (quando o governo gasta menos do que arrecada) para conter o crescimento da dívida pública.
Em evento com grandes empresários, em setembro, o presidente focou parte de seu discurso no tema do ajuste fiscal.
“Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória.
Não é nem competência do governo, é obrigatória.
Ele sabe que quanto mais as contas estiverem desajustadas, quem vai pagar o preço é o povo pobre ”, disse.
Lula aproveito o evento, promovido pelos grupos Esfera Brasil e Prerrogativas , para alfinetar a gestão das contas públicas no governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro.
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