Por que a passarela das Cataratas do Iguaçu não é levada pela água?
A passarela das Cataratas do Iguaçu, no Paraná, resiste à força da correnteza graças a um sistema de fundações fixadas na rocha. A estrutura voltou a chamar a atenção após a vazão do rio ultrapassar 15 milhões de litros por segundo nesta semana.
Mistério é revelado ao olhar o que está escondido debaixo da água. De acordo com o engenheiro civil Vinícius Lorenzi, sócio-diretor da Fungeo (empresa que executou as fundações da obra), a passarela não está apenas "apoiada" no fundo do rio, mas sim ancorada profundamente dentro das rochas do leito. É isso que impede que a correnteza arranque os pilares.
Estrutura funciona como um dente firmemente preso ao osso. Na engenharia, a passarela é chamada de estrutura "engastada". Em termos simples, significa que a base de cada pilar de concreto foi fundida diretamente dentro da rocha do fundo do rio. Elas se tornaram uma peça única, eliminando qualquer folga ou chance de folga que fizesse a passarela balançar ou virar.
Pilares são sustentados por "parafusos" de concreto de até 6 metros de profundidade. Para conseguir prender a passarela, os engenheiros usaram uma técnica chamada estaca-raiz. Máquinas perfuraram as pedras mais duras do fundo do rio, abrindo buracos de 4 a 6 metros de profundidade. Nesses buracos, foram inseridas barras de aço e uma calda de cimento especial, criando uma raiz artificial extremamente resistente.
Nós temos uma força muito grande da água passando. Então, com uma força e pressão muito elevadas sobre a estrutura, nós temos uma fundação por estaca-raiz embutida em material rochoso. É o equilíbrio dessas forças que faz com que a estrutura continue de pé. Vinícius Lorenzi, engenheiro civil e sócio-diretor da Fungeo, em suas redes sociais
Cálculos da obra previram o pior cenário de correnteza possível. Lorenzi explica que os projetistas calcularam o que chamam de "tensão solicitante" —que nada mais é do que o empurrão violento que a água dá na estrutura durante as cheias históricas. A espessura do concreto e do aço foi dimensionada para aguentar pressões muito maiores do que a registrada nesta semana.
Construção da passarela exigiu "desviar" o rio Iguaçu. Para conseguir perfurar as rochas e concretar as fundações no Salto Floriano, a empresa Redram precisou fazer desvios temporários na água para criar áreas secas de trabalho. A passarela tem 136 metros de extensão e foi projetada para que o turista chegue o mais perto possível da Garganta do Diabo em segurança.
Retirada das grades permite que a água passe com menos obstáculos. A Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do Parque Nacional do Iguaçu, informou que a medida é adotada preventivamente durante as grandes cheias para facilitar a passagem da correnteza.
Grades são desmontadas quando a vazão fica entre 9 milhões e 12 milhões de litros por segundo, com tendência de alta. A medida faz parte do protocolo oficial de segurança e reduz os obstáculos encontrados pela água.
Passarela é interditada antes da retirada das grades.
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