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Gabriel e Daniela foram ao Camboja para trabalhar; ela ficou presa, ele voltou ao Brasil em um caixão

Folha de S.Paulo ·
Gabriel e Daniela foram ao Camboja para trabalhar; ela ficou presa, ele voltou ao Brasil em um caixão

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Naquele dia, uma manhã do início de agosto, os funcionários da funerária Evergreen, localizada nos fundos de um templo budista em Phnom Penh, capital do Camboja , preparavam-se para iniciar cremações.

O ritual era burocrático e religioso. Enquanto um policial preenchia os dados de um dos mortos em uma ficha, o ambiente estava preparado com um altar dourado que continha incensos, alimentos e fotos. Em dia de cremação, disseram os funcionários, é sempre assim.

É também uma questão de praticidade. Como o espaço armazena corpos de estrangeiros e a repatriação é um serviço de alto custo, famílias optam pelo traslado das cinzas. A opção foi oferecida aos pais do brasileiro Gabriel Oliveira, 24, que morreu no país em julho de 2025. A professora Leniêr Quirino, 54, e o veterinário Daniel de Araújo Vieira, 55, recusaram a alternativa. Eles precisavam ter certeza de que se tratava do filho.

O local abrigou o corpo de Gabriel, que morreu em circunstâncias não esclarecidas, por cerca de um ano, até que fosse repatriado pela família. A empresa que supostamente o teria empregado afirmou por mensagens à família que a morte foi decorrente da explosão de um micro-ondas, mas não apresentou nada que sustentasse essa afirmação.

A tese principal é que ele tenha sido alvo de tráfico humano no Camboja , país que se tornou o principal destino de vítimas brasileiras registradas sob o Protocolo Operativo Padrão de Atendimento em 2025 , segundo o Ministério da Justiça.

A vontade de trabalhar no exterior, ganhar mais dinheiro e ajudar os pais com a casa própria levou Gabriel a aceitar uma proposta de trabalho em Bancoc, na Tailândia. Com experiência em tecnologia da informação e formação técnica na área, recebeu uma oferta que parecia das boas. Com hospedagem, alimentação e passagens aéreas inclusas, teria de se preocupar com pouco.

Reportagem da Folha visitou o Camboja para entender porque o país se tornou o destino de vítimas brasileiras de tráfico de pessoas

Para os pais, tudo aconteceu muito rápido. Em poucos dias, Gabriel avisou que iria e deixou Igarapé, em Minas Gerais, onde morava com a família. O desembarque foi na capital tailandesa, mas o jovem logo entrou numa van e foi levado para uma cidade do Camboja que Quirino e Vieira até hoje não sabem qual é.

Após a chegada, ele manteve contato constante com o pai, a mãe e a irmã, mas de forma superficial. As conversas por vídeo ocorriam sempre onde Gabriel dormia, apesar dos pedidos para que ele apresentasse um pouco da cidade em que vivia. "Ele falava que tinha várias pessoas junto, não dava muitos detalhes, mas sempre falou que estava tudo bem", diz a mãe.

O último contato entre eles ocorreu em 5 de julho de 2025, data que ficou marcada na família. Dez dias depois, receberam do Itamaraty a notícia de que o filho havia morrido. "Houve várias versões.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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