MPF investiga retirada de vegetação em área de harpias no Maciço do Urucum
O MPF (Ministério Público Federal) abriu inquérito civil para investigar possíveis irregularidades em autorizações para retirada de vegetação no Maciço do Urucum, em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.
A apuração também alcança eventuais impactos sobre áreas utilizadas pela harpia (Harpia harpyja), espécie ameaçada de extinção e considerada a maior águia das Américas.
A investigação foi formalizada por portaria e tem entre os pontos apurados autorizações concedidas pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para supressão de vegetação, a partir de 2024, sem anuência prévia do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Segundo a portaria, a investigação teve origem em informações encaminhadas pela Superintendência do Ibama em Mato Grosso do Sul e os elementos reunidos até o momento apontam para autorizações de retirada de vegetação de Mata Atlântica em estágio médio e avançado de regeneração, em áreas superiores a 50 hectares, sem anuência prévia do órgão federal.
Ao fundamentar a apuração, o MPF cita o artigo 14 da Lei nº 11.428/2006, a Lei da Mata Atlântica.
O inquérito deverá esclarecer as circunstâncias em que as autorizações foram concedidas e se houve irregularidades no procedimento.
Ninhos ativos - A presença da harpia no Maciço do Urucum também entrou no centro da investigação.
A portaria menciona uma nota técnica recente do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) que, segundo o MPF, confirmou a existência de ninhos ativos da espécie na região e apontou que seus territórios de caça coincidem com áreas de expansão minerária autorizadas.
O MPF passou, então, a apurar possíveis impactos sobre os locais de reprodução e as áreas utilizadas pelas aves.
A portaria, no entanto, não conclui que os ninhos tenham sido atingidos ou que tenha ocorrido dano ambiental.
Alerta dos pesquisadores - A presença da harpia no Maciço do Urucum foi registrada pela primeira vez em 2009 e, em 2025, pesquisadores localizaram um raro ninho no local.
Desde agosto daquele ano, a equipe responsável pela pesquisa tinha autorização do Imasul para monitorá-lo.
Em reportagem publicada pelo Campo Grande News em outubro de 2025, a pesquisadora Tânia Sanaiotti, criadora do Projeto Harpia e que à época acumulava 28 anos de trabalho com pesquisa e proteção da espécie, explicou que a ave é extremamente rara no Pantanal e no Cerrado, mas vinha se reproduzindo na região.
Também havia registro de ninho na Serra da Bodoquena.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.