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Conheça ‘Endless’, o álbum esquecido de Frank Ocean

Rolling Stone Brasil ·
Conheça ‘Endless’, o álbum esquecido de Frank Ocean

Em 19 de agosto de 2016, enquanto o mundo aguardava ansiosamente o segundo álbum de Frank Ocean , o artista lançou algo que ninguém esperava: um projeto visual de 45 minutos, exclusivo para assinantes do Apple Music , no qual aparece construindo uma escada de madeira em um armazém, filmado em preto e branco, enquanto 18 faixas de R&B experimental, ambient e trap tocam ao fundo.

O projeto se chamava Endless — e foi amplamente ignorado no dia seguinte, quando Blonde (2016) chegou e roubou toda a atenção.

Ignorado, mas não esquecido.

Com o passar dos anos, Endless ganhou vida própria entre os fãs mais dedicados de Frank Ocean , aqueles dispostos a ouvi-lo como a obra merece: sem pressa, sem a sombra de Blonde pairando sobre tudo, com fones de ouvido e atenção total.

Nesse espaço de 45 minutos, há algo que poucos álbuns conseguem oferecer: uma obra genuinamente experimental, feita de canções inacabadas, texturas sonoras que escorregam de um gênero a outro e momentos de beleza vocal que rivalizam com qualquer coisa que o artista já gravou.

A história de Endless é, ao mesmo tempo, a história de uma manobra jurídica brilhante, de uma declaração artística radical e de um dos projetos mais mal compreendidos do R&B contemporâneo.

Dez anos depois, é hora de entender o que ele realmente é.

O contrato que precisava ser cumprido Frank Ocean lançou Endless para cumprir um contrato de dois álbuns com a Def Jam Recordings — e, ao fazer isso, liberou os direitos sobre o lançamento seguinte, Blonde , garantindo que aquele disco lhe pertencesse integralmente.

Ao entregar Endless à gravadora como o segundo álbum do contrato, Ocean se libertou para lançar Blonde de forma completamente independente, por sua própria gravadora, a Boys Don’t Cry .

A relação de Frank Ocean com a Def Jam já era complicada havia algum tempo.

Após o sucesso de Channel Orange (2012), o artista ficou em silêncio por quatro anos, período no qual a gravadora, que não tinha novos lançamentos para explorar comercialmente, via Ocean construir uma base de fãs cada vez maior, sem conseguir monetizar essa relação como desejava.

Ocean orquestrou os lançamentos de Endless e Blonde para se desvincular da Def Jam de vez: obrigado, por contrato, a entregar mais um álbum ao selo, ele prometeu exclusividade ao Apple Music e lançou Endless , projeto que, ao contrário de Blonde , saiu sob o nome da gravadora.

Na prática, a Def Jam ficou com Endless — um álbum experimental, sem singles comerciais, lançado exclusivamente em uma plataforma de streaming —, enquanto Frank Ocean ficou com Blonde , o disco que todo mundo esperava.

Em retrospecto, foi um dos movimentos mais inteligentes da história recente da indústria.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.

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