Instituto Igarapé leva combate ao crime ambiental à agenda dos candidatos
A Amazônia está no centro de desafios que vão muito além da preservação ambiental, como o enfrentamento a extração clandestina de madeira e ocupação irregular de terras também alimenta redes econômicas ilícitas, amplia a violência e ameaça comunidades que vivem e trabalham na região.
O Instituto Igarapé quer levar o combate ao desmatamento ilegal e ao crime organizado ambiental no bioma para a agenda dos candidatos nas eleições de 2026. Em documento divulgado, a organização elenca seis prioridades estratégicas para o próximo governo e apresenta medidas para consolidar os avanços registrados entre 2023 e 2026 e fortalecer a atuação do Estado.
"Amazônia é um dos maiores ativos estratégicos do Brasil. O que acontece na região afeta diretamente nossa economia, segurança, desenvolvimento e posição no mundo. Reduzir o desmatamento e enfrentar os crimes ambientais não pode depender de quem está no governo: é uma questão de interesse nacional e deve ser um compromisso permanente do Estado brasileiro", afirma Melina Risso , diretora de pesquisa do Instituto Igarapé.
Segundo o Instituto, os resultados obtidos nos ultimos tres anos demonstram que a redução do desmatamento ilegal e dos crimes ambientais depende menos de iniciativas isoladas e mais da capacidade do Estado de coordenar políticas públicas complexas. Para consolidar os avanços, o Igarapé defende a institucionalização dessa agenda como uma prioridade transversal de governo, com mecanismos permanentes de coordenação entre ministérios, órgãos federais, estados e municípios.
O documento também aponta para a necessidade de maior integração entre políticas ambientais, econômicas, fundiárias, de infraestrutura e de segurança pública. A consolidação dessa agenda depende ainda, segundo o instituto, da preservação da estabilidade institucional e de maior convergência entre os diferentes Poderes. A sustentabilidade das políticas ambientais e do combate aos crimes ambientais passaria não apenas pela atuação do Executivo, mas também pela articulação com o Congresso Nacional, o sistema de Justiça e os órgãos de controle.
Para o Igarapé, essa articulação é necessária para reduzir o risco de retrocessos regulatórios que possam comprometer os avanços alcançados nos últimos anos. O documento afirma ainda que a reconstrução da capacidade de fiscalização foi indispensável para reverter o avanço do desmatamento. Ao mesmo tempo, aponta que os mercados ilícitos associados à ocupação ilegal da Amazônia e ao aumento da violência se tornaram mais sofisticados, diversificados e financeiramente estruturados.
Para enfrentar esse desafio é necessário combater sistemas econômicos que sustentam as atividades ilegais, criando medidas que fortaleçam a inteligência, a investigação financeira, a análise de risco, a rastreabilidade das cadeias produtivas e instituições. Na avaliação do instituto, as políticas públicas precisam atuar não apenas sobre as manifestações territoriais da ilegalidade e da criminalidade, mas também sobre as estruturas que financiam, organizam e perpetuam essas atividades.
O documento também destaca a dimensão internacional da agenda ambiental.
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