Fim do desconto na conta de luz e El Niño ameaçam alívio da inflação
A deflação registrada neste mês pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve ser pontual, influenciada pelo desconto temporário do "Bônus de Itaipu" nas contas de luz. Ao mesmo tempo, os efeitos do El Niño sobre os preços dos alimentos entram no radar dos analistas. A retomada da inflação pode fazer com que o índice feche 2026 novamente acima do teto da meta.
Prévia da inflação oficial foi negativa neste mês. A deflação de 0,4% constatada pelo IPCA-15 foi a primeira desde agosto do ano passado (-0,14%), motivada pela queda nos preços das contas de luz (-6,25%) e dos alimentos (-0,57%). Com a variação negativa, o índice acumula alta de 4,24% nos últimos 12 meses e voltou a ficar dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
Índices inflacionários não devem permanecer em queda. A deflação de agosto foi influenciada pela distribuição do "Bônus de Itaipu", que deduziu valores das contas de 83,8 milhões de consumidores. A reversão desse desconto deve interferir diretamente nos indicadores de setembro. "Devemos ver alguma reaceleração na margem a partir de setembro", avalia André Valério, economista sênior do Inter.
O resultado [do IPCA-15] foi fortemente influenciado pelo desconto temporário nas contas de energia elétrica proporcionado pelo Bônus de Itaipu. Em setembro, veremos a reversão deste movimento. Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval
Apesar do alívio nos últimos meses, ainda vemos fatores que devem manter a inflação pressionada daqui para frente, como o mercado de trabalho aquecido e a perspectiva de desvalorização do real. Claudia Moreno, economista do C6 Bank
Impacto do El Niño entra no radar dos analistas. O fenômeno, que resulta do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, é acompanhado por seu potencial de pressionar os preços dos alimentos. Gabriel Pestana, economista da Genial Investimentos, avalia que o choque provocado pela alteração climática ainda pode aparecer nos índices de inflação.
Começaremos a ver a reversão da deflação de alimentos observada nos últimos meses, à medida que as commodities agrícolas já refletem as pressões do El Niño. André Valério, economista sênior do Inter
Clima mais adverso pode prejudicar a safra agrícola. A perspectiva negativa envolve a possibilidade de redução da oferta devido a problemas climáticos. Com menor disponibilidade de produtos, os preços tendem a subir. "Os riscos [para a inflação de alimentos] se concentram na expectativa de um clima mais adverso no segundo semestre com a ocorrência do El Niño intenso", analisa o Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval.
Previsões apontam para o estouro da meta neste ano. As projeções atualizadas semanalmente pelo mercado financeiro indicam que o IPCA acumulado de 2026 será de 5,02%. Se confirmada, a inflação ficará acima do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para a meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional para este ano, que vai de 1,5% a 4,5%.
Aceleração da inflação pode respingar na taxa de juros.
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