Com travestis no topo, teatro lota mostrando o poder do ballroom
Por trás dos looks extravagantes, poses e das disputas de performance, existe uma família.
Na cultura ballroom, as chamadas “houses” têm travestis em lugar de destaque e se tornam espaços de acolhimento e aprendizado para pessoas que encontram nos coletivos uma rede de apoio.
Em Campo Grande, cerca de 12 casas estão ativas.
Na noite deste sábado (19), a Casa Sherman comemorou dois anos com o Excellence Ball, um baile que juntou integrantes de diferentes grupos da comunidade ballroom da cidade e lotou o Teatro do Mundo.
A festa foi a parte mais visível de uma estrutura que funciona durante todo o ano.
Dentro das casas, os integrantes são chamados de filhos e a relação é mais do que a técnica que se vê no palco.
“Nós não somos um grupo de dança.
Nós não somos um coletivo cultural, um coletivo artístico.
Nós somos um lugar onde a gente se coloca como pessoas, família mesmo”, explica o father Júlio Ruschel, um dos fundadores da Casa Sherman.
Ariel Sherman, outro father da Casa, conta que quando ele e Júlio decidiram assumir a posição de liderança, o maior receio não estava necessariamente nas possíveis reações externas à criação de uma casa em Mato Grosso do Sul, mas justamente no desafio de cuidar de pessoas.
“O maior medo foi estar nessa posição de fundador, de father, que é ser uma liderança e de ser responsável, sim, por essas vidas, pelos treinos, pelo desenvolvimento das habilidades, mas também pelo dia a dia, de acolher, de receber uma ligação”, relata.
Hoje, a Casa Sherman reúne 19 pessoas, entre dois fathers, uma mother e 16 filhos.
A organização também conta com outros títulos, como prince, princess, imperador e imperatriz, ocupados por integrantes que ajudam na administração e na organização da casa.
A formação artística é uma parte importante da rotina.
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