Estudo relaciona bactéria que afeta estômago a um em cada cinco casos de câncer colorretal
Com o aumento dos casos de câncer de intestino , também conhecido como colorretal , principalmente entre jovens, pesquisadores têm se dedicado a investigações para explicar esse fenômeno crescente nas últimas décadas.
Uma das frentes é a associação entre uma bactéria que pode acometer o estômago, a Helicobacter pylori , e o aparecimento de tumores.
Mais ligada ao câncer gástrico, ela pode estar relacionada a um em cada cinco tumores colorretais , de acordo com um estudo publicado na revista eGastroenterology .
A H. pyroli , como é mais conhecida, é uma bactéria que pode ficar durante anos no estômago sem levar à manifestação de sintomas, mas é uma infecção que costuma assustar os pacientes por sua relação com problemas que vão da gastrite à úlcera e câncer gástrico.
A análise englobou 43 estudos com dados de 48.694.403 pessoas de todo o mundo e encontrou que a exposição à bactéria estava associada a um risco 1,59 vezes maior de desenvolvimento de tumores de intestino.
Os pesquisadores estimaram que 22% dos casos do câncer estavam “potencialmente relacionados” à H. pylori .
Segundo Bruno Sanches, membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e presidente do Núcleo de Pesquisa do H. pylori , essa associação tem sido estudada desde os anos 2000, no entanto, ainda não está estabelecida uma relação de causa e efeito.
Continua após a publicidade Mesmo assim, já se sabe que a bactéria causa outros problemas que vão além da esfera gástrica.
“Existem outras condições não digestivas que também têm sido relacionadas à presença da bactéria.
Entre elas estão a púrpura trombocitopênica imune, a anemia ferropriva de causa obscura, além de possíveis associações com doenças neurológicas, cardiovasculares e o adenocarcinoma de cólon, que é um dos tipos de câncer do intestino”, explica.
Continua após a publicidade Segundo Sanches, caso a relação de causa e efeito seja confirmada no futuro, ela pode ser justificada por alguns mecanismos que já deixam pistas.
“Entre eles, uma possível alteração da microbiota intestinal provocada pela presença do H. pylori , alterações inflamatórias induzidas pela bactéria ou até mesmo uma resposta imunológica desencadeada pelos antígenos liberados por ela, que poderia atuar como um gatilho para o desenvolvimento do câncer de intestino.” Continua após a publicidade Redução do risco A pesquisa também avaliou se o tratamento para a eliminação da bactéria, feito com antibióticos e supressores da acidez gástrica, reduziria o risco de câncer de intestino.
Essa diminuição até apareceu, mas apenas depois de dez anos .
Dessa forma, os pesquisadores sugerem que mais estudos sejam realizados para validar ou não a estratégia.
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