MP abre inquérito para apurar colapso de ponte no Acre
O Ministério Público do Acre instaurou na quinta-feira (6/8) um inquérito civil para investigar as causas do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari , em Sena Madureira, no interior do Acre.
A estrutura, que custou R$ 36 milhões aos cofres públicos, desabou em junho de 2026 e, até o momento, as causas do colapso ainda não foram esclarecidas por perícia.
O promotor de Justiça Júlio César de Medeiros Silva afirma haver indícios de irregularidades no planejamento, licenciamento, execução, fiscalização, monitoramento e manutenção da obra.
Para esclarecer as causas do desabamento e identificar eventuais responsabilidades, ele determinou a elaboração de novos relatórios técnicos e a obtenção de documentos sobre a construção da ponte.
Um dos principais focos da investigação é o fenômeno conhecido como “terras caídas”, apontado como possível causa do colapso.
O promotor sustenta que estudos elaborados pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) antes da construção já registravam “grande erosão” e a “fragilidade do solo do barranco do rio”.
A investigação buscará verificar se esses riscos foram considerados no projeto e na execução da obra.
Conclusões do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do Ministério Público também integram a investigação.
Segundo o órgão, “a ausência de qualquer intervenção técnica de contenção emergencial da erosão” é o principal problema identificado até agora.
O NAT afirma que o avanço da erosão aumenta o risco de novos desmoronamentos nas margens do Rio Iaco e já alcança áreas ocupadas por moradias, o que levou o promotor a determinar a apuração das medidas adotadas para proteger as famílias expostas ao risco.
Outra frente de investigação Outro eixo da investigação envolve a documentação da obra.
O promotor aponta divergência entre a construtora e o Estado sobre quem mantém sob guarda projetos, relatórios, medições, diários de obra e outros registros técnicos.
Enquanto a empresa afirma que esse material está com o Deracre, o Estado sustenta que cabe à construtora apresentá-lo.
A investigação também depende da conclusão das perícias.
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