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Colonos japoneses transformaram um cerrado a 1.100 metros de altitude na cidade mineira que dita o preço do alho no Brasil

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Colonos japoneses transformaram um cerrado a 1.100 metros de altitude na cidade mineira que dita o preço do alho no Brasil

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Meio século atrás, o cerrado do Alto Paranaíba era considerado terra de solo ácido e pouco futuro agrícola. Hoje, São Gotardo , no oeste de Minas Gerais , colhe cenoura praticamente o ano inteiro, lidera a produção nacional de alho e teve seus hortifrutis reconhecidos com selo de origem pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) . A virada tem data, nome e um grupo de famílias que veio de longe para plantar em terreno que ninguém queria.

Ele trouxe gente treinada para um solo que precisava ser corrigido antes de produzir. A horticultura local começou há cerca de cinco décadas com descendentes de japoneses vindos do Paraná e de São Paulo , atraídos pelo Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba (Padap) , cujas áreas ainda hoje formam o núcleo da região produtora, conforme o Conselho da Região de São Gotardo .

O programa oferecia estradas, energia, crédito e assistência técnica em troca de ocupação produtiva, e apostava em uma vantagem que só o relevo dava: chapadas planas, boas para máquinas, a 1.100 metros de altitude. Nessa faixa, as noites frias favorecem raízes doces e firmes, o mesmo princípio que explica boas batatas em terras altas europeias. Deu certo a ponto de a região virar referência de irrigação e de rotação de culturas no país.

Porque a oferta se concentra ali em volume suficiente para mexer no atacado. Conforme o DataSebrae , a Região de São Gotardo é a maior produtora de alho do Brasil , com média aproximada de 45 mil toneladas por ano, resultado que faz atacadistas e centrais de abastecimento de várias capitais acompanharem a colheita local antes de fechar preço.

Não é uma cidade grande decidindo isso: o município tem população menor que a de muitos bairros de Belo Horizonte , e ainda assim pesa mais na formação do preço do alho do que estados inteiros. A colheita se concentra no inverno seco, quando o bulbo cura melhor no campo, e move uma cadeia de transporte, seleção e embalagem que ocupa a cidade nos meses frios.

Reconheceu um território, não uma marca. O INPI concedeu à Região de São Gotardo a Indicação Geográfica (IG) , na modalidade Indicação de Procedência, para cenoura, alho, batata e abacate, beneficiando cerca de 400 produtores , informa a Agência Sebrae de Notícias .

A área demarcada reúne seis municípios: Campos Altos , Ibiá , Rio Paranaíba , Matutina , Tiros e a própria São Gotardo, somando cerca de 50 mil hectares de zona produtiva demarcada. Na prática, o selo funciona como um sobrenome geográfico no caixote: garante de onde veio, como veio e sob quais critérios foi cultivado.

Existe, e é o que separa a cidade das demais regiões produtoras. De acordo com a Agência Minas , o município é referência nacional em hortaliças e concentra cerca de 4 mil hectares de cenoura, algo em torno de 16% da área plantada com a hortaliça no país, abastecendo de São Paulo e Rio de Janeiro até Manaus e o Nordeste.

O calendário funciona em duas pernas: o plantio de inverno, mais produtivo, e o de verão, que exige cultivares resistentes ao calor e à chuva.

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