Cezinha, aliado de Mendonça, fez vídeo há 3 dias relatando furto de celular; operação pode ter vazado
A intrigante coincidência cronológica que antecedeu a deflagração da terceira etapa da Operação Transparência pela Polícia Federal nesta segunda-feira (14) acendeu um sinal de alerta de grandes proporções nos bastidores políticos do Distrito Federal e nos corredores do Supremo Tribunal Federal.
O pivô e principal investigado na ação, o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), utilizou suas redes sociais apenas 72 horas antes de ver os agentes federais à sua porta para postar um depoimento dramático, no qual relatava ter tido o aparelho celular sumariamente subtraído durante um deslocamento pela Avenida Paulista, em São Paulo.
A versão apresentada pelo parlamentar bolsonarista, que argumentou ter sido vítima de assaltantes ágeis, capazes de invadir suas contas bancárias, alterar senhas e vasculhar aplicativos em questão de 15 minutos, passou a ser analisada com severa reserva pelos investigadores.
O ponto cego da narrativa reside no cronograma judicial: a ordem formal que autorizou a varredura contra Cezinha foi chancelada pelo ministro Flávio Dino no dia 5 de setembro, exatamente seis dias antes da data em que o político sustenta ter sido despojado do eletrônico.
A disparidade de datas ganha traços de manobra defensiva, fomentando a forte suspeita de que a operação policial possa ter sofrido um grave vazamento prévio, permitindo a eliminação orquestrada de eventuais provas digitais sensíveis contidas no telefone.
A dimensão política do caso ganha contornos de ainda maior gravidade ao se examinar a estreita simbiose política e a notória relação de amizade entre Cezinha e o ministro André Mendonça, magistrado alçado à Corte por indicação de Jair Bolsonaro (PL).
Enquanto figura expressiva da bancada evangélica e representante do Ministério de Madureira da Assembleia de Deus, Cezinha atuou como um dos mais fervorosos fiadores e articuladores da sabatina que garantiu a posse de Mendonça no STF em 2021.
O trânsito desimpedido do deputado pelos gabinetes do tribunal e seu livre acesso aos bastidores do Judiciário alimentam a tese de que informações sigilosas sobre o avanço das apurações possam ter circulado indevidamente dentro da própria estrutura da Corte antes da chegada ostensiva da PF nas ruas.
No centro da apuração federal está um complexo e lucrativo balcão de negócios.
Cezinha de Madureira é formalmente investigado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de capitais e tráfico de influência junto a tribunais superiores.
As provas reunidas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal indicam que o grupo cobrava valores vultosos sob a promessa velada de interferir nos rumos de processos judiciais e assegurar despachos favoráveis em instâncias superiores da Justiça.
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