Criminosos vendem acesso para apagar multas e mandados de prisão
Um mercado clandestino vende acessos a sistemas públicos para alterar processos, apagar multas e até retirar mandados de prisão, revelou o "Fantástico".
Criminosos oferecem em grupos de conversa e fóruns na internet logins, senhas e credenciais de servidores e autoridades com acesso a redes protegidas. As negociações foram acompanhadas durante um mês.
Ofertas incluem dados do Imposto de Renda, compras online, informações de saúde, consultas sobre funcionários e registros de vacinação. Um acesso à Secretaria de Segurança do Paraná era anunciado por pouco mais de R$ 100, enquanto dados de veículos e condutores custavam R$ 110.
Criminosos também anunciam acesso a sistemas da Justiça e dos Departamentos Estaduais de Trânsito. Um login da Justiça de Santa Catarina era oferecido por R$ 500, e um serviço para alterar processos ou retirar mandado de prisão custava R$ 1 mil.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul testou credenciais apresentadas pela reportagem e confirmou que elas funcionavam. "Percebemos que é funcional", afirmou o procurador de Justiça Fábio Costa Pereira. "O que eles prometem, eles conseguem fazer."
O órgão já havia identificado a venda de senhas e credenciais em denúncias e investigações. "Essas vendas de senhas, vendas de credenciais, elas realmente funcionam, são verdadeiras", disse o promotor Leonardo dos Santos Rossi.
O Tribunal de Justiça de Goiás investiga o roubo de credenciais usadas para invadir o sistema judicial do estado. Uma ordem de bloqueio emitida no estado foi confirmada como fraudulenta pela corte.
A Polícia Civil de Goiás identificou cerca de 140 adulterações no Banco Nacional de Mandados de Prisão em uma operação. O tribunal contabilizou 350 acessos fraudulentos, e um casal foi preso por participação nas invasões; os dois respondem ao processo em liberdade.
Credenciais de servidores e magistrados podem ser usadas para inserir, alterar ou excluir ordens de prisão, afirmou a delegada Sabrina Leles. Informações erradas nesses registros poderiam levar uma pessoa inocente à prisão.
As comunidades envolvidas na venda de acessos também usam dados obtidos ilegalmente para chantagear e atacar vítimas. Uma dessas redes é conhecida como " The Com " , conjunto de grupos interligados em diferentes países, cujos integrantes são, em muitos casos, jovens, segundo o FBI.
Em Belém, a Polícia Civil investigou grupos suspeitos de expor dados pessoais, vender credenciais e praticar outros crimes. Segundo a polícia, uma mulher foi presa em flagrante, acusada de compartilhar conteúdo de violência sexual online contra crianças e adolescentes.
O Ministério da Saúde e a Receita Federal afirmaram não ter identificado evidências de invasão ou comprometimento de seus sistemas. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Tribunal de Justiça de Santa Catarina e o governo do Paraná disseram reforçar controles de acesso e medidas de cibersegurança.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.