IFI alerta para despesas crescendo acima das receitas e déficit estrutural
A IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado Federal divulgou, nesta quinta-feira (20), o RAF (Relatório de Acompanhamento Fiscal) de agosto, no qual aponta que o quadro fiscal brasileiro permanece “inalterado” em sua essência, com as despesas crescendo em ritmo superior ao das receitas.
A avaliação ocorre a menos de dois meses da eleição presidencial, colocando o orçamento no centro do debate político.
Leia mais Bessent dobra recompra de títulos longos dos EUA em meio à alta dos juros Governo deve furar Regra de Ouro em 2026, projeta IFI; veja análise Dívida dos EUA supera US$ 40 tri após dobrar nos governos Trump e Biden De acordo com o relatório nº 115, o déficit primário estrutural, que exclui eventos não recorrentes e ajusta o saldo ao ciclo econômico, alcançou 1,4% do PIB no acumulado de quatro trimestres até junho de 2026.
O número revela uma deterioração significativa em relação ao mesmo período de 2025, quando o déficit estrutural era de 0,7% do PIB.
Os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, destacam que, embora a equipe econômica venha se empenhando na gestão cotidiana, o país necessita de um ajuste estrutural mais profundo e sustentável.
“As despesas obrigatórias e discricionárias rígidas crescem, contínua e velozmente, sobre a margem de liberdade do governo”, alertam no documento.
Nos primeiros sete meses de 2026, a receita primária líquida registrou um aumento real de 6%, impulsionada em parte pela alta nos preços do petróleo devido a conflitos no Oriente Médio.
Contudo, no mesmo período, as despesas subiram 6,3% em termos reais.
A IFI e o governo projetam um déficit primário efetivo de 0,4% do PIB para este ano.
Cumprimento da meta fiscal O relatório esclarece que o cumprimento formal da meta fixada na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) será alcançado apenas por meio de deduções legais, que somam R$ 62,8 bilhões nos cálculos do governo, e R$ 69,8 bilhões na estimativa da IFI.
Sem esses descontos e o uso do intervalo de tolerância, o centro da meta de superávit de 0,25% do PIB não seria atingido.
Entretanto, para efeito de estabilização da dívida pública, o que importa é o resultado efetivo.
A IFI estima que seria necessário um superávit de 2,1% do PIB para estabilizar a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que deve encerrar o ano em 82,5% do PIB.
Projeções macroeconômicas O cenário para 2026 foi atualizado com as seguintes projeções: Crescimento do PIB: revisado para 2% Inflação (IPCA): projetada em 5% Taxa Selic: expectativa de encerrar o ano em 14% Um ponto de atenção central no RAF de agosto é a restrição de caixa imposta pelo estoque de restos a pagar (RAP), que soma R\$ 105,5 bilhões.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.