Casas Bahia tentou segurar caixa com demissões; entenda
O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região suspendeu provisoriamente, na terça-feira (18), as demissões coletivas realizadas pelo Grupo Casas Bahia na semana anterior.
O analista de Economia da CNN Victor Irajá explica, ao CNN Novo Dia , que a empresa tentou segurar caixa com as demissões.
A decisão também restringiu novos cortes sem a intermediação de entidades sindicais.
Procurado, o Grupo ainda não se manifestou sobre a decisão judicial.
As demissões em questão ocorreram entre os dias 13 e 14 de agosto, quando cerca de 3 mil funcionários foram desligados da empresa.
Dois dias depois, no dia 16, o Grupo ingressou com pedido de recuperação judicial — cronologia que está no centro da controvérsia jurídica .
Impacto do timing das demissões na recuperação judicial Segundo Victor Irajá, o momento em que as demissões foram realizadas tem implicações diretas sobre a natureza dos créditos trabalhistas no processo de recuperação judicial.
Leia mais Casas Bahia afirma que negocia e busca alternativas para crise financeira Leilão da Casas Bahia tem descontos de até 86% em eletrodomésticos; confira Grupo Multi anuncia provisão de R$ 20 milhões para perdas com Casas Bahia “Pela lei de recuperação judicial , entram no processo os créditos existentes na data do pedido”, explicou Irajá.
Assim, as verbas rescisórias referentes às demissões feitas antes do dia 16 passam a integrar o plano de recuperação judicial e serão pagas de acordo com o que for aprovado pelos demais credores.
Caso as demissões tivessem ocorrido após o pedido de recuperação, os créditos seriam classificados como extraconcursais — ou seja, deveriam ser pagos fora do plano e com prioridade sobre o passivo em renegociação com os demais credores .
Isso, segundo Irajá, pressionaria ainda mais o caixa da companhia , que já se encontra em situação bastante delicada.
Estratégia financeira e poder de voto dos credores Ao antecipar as demissões, o Grupo Casas Bahia criou 3 mil novos credores classificados como “classe 1” — categoria que reúne os créditos trabalhistas e cujos integrantes votam individualmente na assembleia de credores.
“A empresa ganha tempo e fôlego orçamentário, mas aumenta o número de trabalhadores com direito a voto sobre o plano de recuperação judicial “, destacou Vitor Irajá.
A Casas Bahia declarou cerca de R$ 354 milhões em obrigações trabalhistas .
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