União Brasileira de Compositores homenageia Alice Ruiz com o Troféu Tradições 2026 nesta quarta, 26
A União Brasileira de Compositores (UBC) entrega nesta quarta, 26, o Troféu Tradições UBC 2026 à poeta, letrista e compositora Alice Ruiz .
A cerimônia acontece às 19h, na Casa de Francisca, em São Paulo, e inclui um show curto com direção musical de Gustavo Ruiz Chagas , além de transmissão ao vivo pelo canal da UBC no YouTube .
Criada para reconhecer mulheres fundamentais na história da música brasileira, a honraria chega à sexta edição destacando uma autora cuja trajetória atravessa a poesia, a composição e a canção.
Em anos anteriores, foram homenageadas Anastácia , Dona Onete , Lia de Itamaracá , Alaíde Costa e Rosa Passos .
Nascida em Curitiba, em 1946, Alice Ruiz é uma das figuras centrais na difusão do haicai no Brasil e ministra oficinas desde 1990.
A aproximação com o haicai — forma poética breve, de origem japonesa, baseada na síntese e na precisão — ocorreu por influência do marido, o poeta Paulo Leminski , com quem foi casada de 1968 a 1988.
Essa experiência com a palavra mínima acabou moldando também sua escrita como letrista: com linguagem concisa, sensível e afiada, a poeta curitibana conquistou um espaço singular na literatura brasileira contemporânea, com poemas que circulam como mantras nas redes sociais, ganham forma em canções populares e até viram tatuagens.
Na música, a obra de Alice Ruiz se construiu ao longo de mais de cinco décadas, em parcerias com compositores de diferentes gerações.
Entre as canções mais conhecidas estão “ Milágrimas ”, “ Navalha na Liga ” e “ Sei dos Caminhos ”, escritas com Itamar Assumpção , parceria que soma mais de 20 músicas ao longo de duas décadas.
Também fazem parte de sua obra “ Penso e Passo ”, com Alzira Espíndola ; “ O Amor que Merece ”, com Zeca Baleiro ; e “ Discreto ”, com Chico César .
Suas letras também ganharam voz nas interpretações de Gal Costa , Cássia Eller , Ney Matogrosso , Zélia Duncan e Adriana Calcanhotto .
A própria Alice destacou o peso simbólico da homenagem em um momento em que a autoria das letras permanece invisível para a maioria dos ouvintes.
“Da forma que a música está sendo divulgada, principalmente depois da popularização das plataformas de áudio, letrista virou fantasma.
E, se for mulher, a invisibilidade é ainda maior.
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