Veja próximos passos após pedido de recuperação extrajudicial da Braskem
A petroquímica Braskem protocolou hoje um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de R$ 54 bilhões. Com a medida, os pagamentos ficam suspensos por 90 dias, período no qual a empresa vai buscar fechar acordo com a maioria dos credores.
Braskem terá 90 dias de proteção judicial para concluir acordo definitivo com os seus credores. Isso impede cobranças ou bloqueio de bens enquanto o plano é negociado.
Petroquímica precisará do apoio de credores que representem mais de 50% de cada classe de dívida para validar a reestruturação. O pedido inicial pode ser feito com assinaturas de apenas um terço dos credores afetados. A empresa tem agora até 90 dias corridos para conseguir o restante das assinaturas.
Juiz do caso determinará a publicação de um edital na internet para convocar os afetados. Todos os credores atingidos serão chamados para que conheçam os termos e prazos da reestruturação. A empresa deverá comprovar que enviou correspondências com a descrição da proposta a todos os credores baseados no Brasil, para que possa ser contestada em juízo.
Credores contrários às propostas terão 30 dias para contestação na Justiça. A contagem começa a partir da publicação do edital.
Inicialmente, só é possível contestar possíveis fraudes ou falhas técnicas, como ausência de assinaturas obrigatórias. Nessa etapa, os credores não podem barrar a reestruturação por meras discordâncias comerciais.
Braskem terá até cinco dias para se defender. O Judiciário notificará os advogados da devedora para responderem às manifestações dos credores logo após o término do prazo de oposição.
Juiz decidirá em até cinco dias se aprova ou rejeita o plano de reestruturação . Se for aprovado, as novas datas de pagamento passam a valer para todos os envolvidos no acordo. Se for rejeitado, os credores voltam a ter o direito de cobrar as dívidas pelas regras e condições dos contratos originais.
Braskem teve rebaixamento de sua nota de crédito pelas agências globais de classificação de risco . Isso ocorreu após a petroquímica obter uma liminar na Justiça de São Paulo e nos Estados Unidos para suspender cobranças de credores financeiros por 60 dias. As agências Fitch Ratings e S&P (Standard & Poor's) cortaram as notas da empresa para C e D no fim de junho de 2026.
Inadimplência da subsidiária mexicana Braskem Idesa pressionou as contas da petroquímica no exterior . A unidade do México acumula um endividamento líquido de US$ 2,29 bilhões, o que equivale a 19,25 vezes o Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) recorrente. Sem caixa, a subsidiária suspendeu o pagamento de juros de seus títulos em novembro de 2025 e fevereiro de 2026, iniciando negociações de reestruturação judicial sob as regras do mecanismo "Chapter 11" , da legislação norte-americana.
Desastre geológico em Maceió, iniciado em maio de 2019, consumiu R$ 15,80 bilhões em caixa . A extração de sal-gema em Alagoas levou a empresa a reservar R$ 18,17 bilhões para pagar indenizações a moradores e acordos de compensação. Houve acerto de R$ 1,7 bilhão com a prefeitura municipal em julho de 2023 e de R$ 1,2 bilhão com o governo estadual em novembro de 2025.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.