Lito Sousa: por que pressão nas redes não pode mudar regras de estudos
Nas últimas semanas, o caso do influenciador Lito Sousa mobilizou as redes sociais.
Diagnosticado com câncer e com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição rara e ainda sem cura, ele recebeu apoio de familiares e criadores de conteúdo na tentativa de encontrar alternativas de tratamento.
A repercussão cresceu rapidamente.
Segundo levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, com um aumento de 63.001% nas citações em português a Lito Sousa na comparação entre entre as semanas de 12 a 19 e de 19 a 26 de agosto.
Uma das principais mobilizações foi para tentar incluí-lo em estudos clínicos sobre a doença.
Apesar dos pedidos de ajuda e do contato com instituições e órgãos públicos, Lito acabou não sendo incluído em dois estudos clínicos considerados pela família.
4 imagens Fechar modal.
1 de 4 Lito Sousa é clicado durante uma participação no SBT SBT/Reprodução 2 de 4 Aos prantos, Lito Sousa fala do filho e da esposa: "Tenho que ser forte" YouTube/Reprodução 3 de 4 Lito Sousa está esperando uma vaga em tratamentos experimentais Instagram/Reprodução 4 de 4 Após pedidos na web, farmacêutica se manifesta sobre caso de Lito Sousa Instagram/Reprodução Pressão pode ajudar com visibilidade Especialistas ouvidos pelo Metrópoles afirmaram que a grande repercussão nas redes sociais e a pressão popular sobre o caso podem desempenhar um papel positivo, mas não necessariamente com foco em conseguir inscrevê-lo em um estudo clínico.
A mobilização ajudou, por exemplo, a estabelecer um contato mais rápido com as empresas que conduzem os estudos .
O professor Ivan Ricardo Zimmermann, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador em Avaliação de Tecnologias em Saúde, destaca, contudo, que conseguir que um caso seja analisado é muito diferente de conseguir efetivamente uma vaga.
“A mobilização pode fazer com que pesquisadores, gestores e reguladores conheçam o caso, revisem os critérios de elegibilidade, indiquem alternativas ou avaliem mecanismos de acesso experimental.
Ela não deveria, entretanto, substituir o processo científico e regulatório de seleção”, afirma.
Já o cardiologista José Rocha Faria Neto, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), pontua ainda que todo ensaio clínico possui critérios de inclusão e exclusão muito rígidos, definidos previamente no protocolo de pesquisa.
“Um estudo não é concebido para determinar quem ‘merece’ ou não receber determinado tratamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.