Estrutura sindical montada por Vargas e reanimada por Lula está virando pó
Há somente nove sindicalizados entre cada cem brasileiros ocupados com algum tipo de trabalho, formal ou informal.
No total, são 9,1 milhões entre 103 milhões de pessoas, segundo o inventário trabalhista de 2025 divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (23/9) Significa que o sindicalismo perdeu 5,3 milhões de associados nos últimos 13 anos, quando começou a pesquisa.
Em 2012, contavam-se 14,4 milhões de filiações sindicais.
A perda foi expressiva: 36,7%.
Não deixa de ser notável que esse processo de evasão sindical tenha ocorrido numa etapa em que o Partido dos Trabalhadores predominou no governo e, também, no Congresso.
Continua após a publicidade O PT vai completar 17 anos de governo nesses primeiros 25 anos do século, e Lula está na disputa pelo quarto mandato.
Ele e o PT representam um ciclo de êxito da elite sindical brasileira, modelada na ditadura de Getúlio Vargas, nos anos 30, e parcialmente reanimada nos governos petistas deste século.
Lula costuma atribuir o declínio sindical à reforma trabalhista aprovada em 2017, no período em Michel Temer completava o mandato de Dilma Rousseff, deposta por impeachment.
Não é bem assim.
O IBGE mostra que a taxa de sindicalização era de 16% em 2012 e caiu para 15% em 2016, antes da reforma.
Continua após a publicidade A mudança nas regras teve peso específico, porque flexibilizou critérios de filiação e de remuneração dos sindicatos.
Certamente, acelerou o processo, mas a erosão da base sindical aparenta coerência com a resistência da elite sindical às mudanças na estrutura do mercado de trabalho impostas pela revolução digital.
O setor industrial, por exemplo, teve relevante queda na taxa de sindicalização — de 21,3% em 2012 para 11,4% no ano passado.
Continua após a publicidade No setor público e agricultura também houve redução da base associativa, mas em proporção bem menor.
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