A culpa não é do mordomo, nem das bets
Há um clichê que atravessa gerações de histórias policiais: quando o crime enfim se resolve, a culpa recai sobre o mordomo.
Ele é o suspeito perfeito – está sempre por perto, conhece a casa, não tem como se defender direito e ninguém sente muito por ele.
O mordomo é um culpado conveniente.
Não à toa, no debate econômico brasileiro dos últimos meses, esse papel foi entregue às bets.
Um setor que passou a frequentar nossas casas, ao menos nas publicidades; que, de tão fragmentado, não consegue passar uma mensagem uníssona e se defender propriamente; e pelo qual, depois de 80 anos carregando a carga moral de sua proibição, pouca gente morre de amores.
Conheça o JOTA PRO Tecnologia, solução corporativa que acompanha todas as movimentações regulatórias e legislativas que impactam o setor Nesse debate, o roteiro se repete com uma regularidade quase suspeita.
Primeiro, surge uma estimativa cujo método completo nunca é inteiramente aberto ao público.
Em seguida, o número ganha uma comparação de forte apelo – “dois Natais” do varejo, “milhões de endividados”.
Então dezenas de veículos reproduzem a mesma frase, até que a hipótese passe a circular como fato incontroverso.
No fim da linha, o dado é adotado por quem precisava de uma explicação: a entidade que disputa a renda do consumidor, o parlamentar em ano eleitoral, a empresa que precisa justificar um mau resultado.
Em nenhum ponto dessa cadeia a demonstração de causa e efeito foi exigida.
Bastou que a acusação fosse intuitiva, comunicável e conveniente.
Vale, então, conferir a conta.
O melhor lugar para começar é o caso que dominou as manchetes: uma das varejistas mais tradicionais do país anunciou, em agosto, prejuízo bilionário e pedido de recuperação judicial, sob títulos que incluíram as apostas entre os culpados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.