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Do voto feminino à habitação popular: quem foi Carmen Portinho, pioneira do feminismo no Brasil

G1 Política ·
Do voto feminino à habitação popular: quem foi Carmen Portinho, pioneira do feminismo no Brasil

Carmen Portinho em frente ao MAM, no Rio de Janeiro, em foto de 1981 Arquivo Nacional Em tempos de estupefatos olhares para a novidade da aviação, ela viu nos ares um canal para propagandear o ideal do voto feminino.

Foi uma das maneiras que a engenheira Carmen Velasco Portinho (1903-2001), uma das pioneiras da luta feminista no país e a primeira brasileira a obter o título de urbanista, encontrou para divulgar a urgente pauta.

"Chegou a sobrevoar o Rio soltando panfletos em defesa do sufrágio feminino, em uma época em que nem avião decente existia", conta a historiadora Mary Del Priore, autora do livro Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000.

Portinho viveu praticamente todo o século 20 e foi protagonista nas transformações vividas no Brasil ao longo desse período.

Ao lado de nomes como o da ativista, bióloga e educadora Bertha Lutz (1894-1976), ela lutou pelo direito ao voto das mulheres no país.

Desde cedo, Portinho defendeu a importância de que as carreiras profissionais das mulheres fossem valorizadas.

Como urbanista, passou a pensar a infraestrutura da cidade sob uma perspectiva do cuidado, em uma visão muito mais realista acerca dos desafios enfrentados pela mulher que precisava — e ainda precisa — se desdobrar entre trabalho, responsabilidades como mãe e tarefas domésticas.

Arquivo Nacional Seu engajamento começou na adolescência.

Nascida em Corumbá, hoje Mato Grosso do Sul, ela se mudou com os pais e irmãos para o Rio em 1911, ainda criança.

Na então capital do país ela acabou se envolvendo com um ideário feminista preocupado em conferir cidadania plena às mulheres — a prioridade da pauta era o sufrágio, que só viria a ser conquistado pelas mulheres brasileiras em 1932.

Para a a economista Regina Madalozzo, autora do livro Iguais e Diferentes - Uma Jornada Pela Economia Feminista, a luta dessas pioneiras pelo voto hoje ainda é pertinente quando se fala na necessidade de mais mulheres em cargos de decisão, em espaços de poder.

Autora do livro O Voto Feminino no Brasil e professora na Universidade de Brasília (UnB), a historiadora Teresa Cristina de Novaes Marques situa Portinho entre as figuras históricas "autênticas, que viveram de modo feminista e buscando autonomia".

"Fizeram política apoiando a democracia, votando sempre e vivendo vidas autênticas e produtivas nos seus ofícios", comenta.

Sobretudo nos anos 1920 e 1930, Portinho passou a incluir entre suas preocupações um espectro de maior cidadania para as mulheres, com cobrança por igualdade de direitos frente aos homens, acesso igualitário à educação e valorização do trabalho fora do âmbito doméstico.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Política.

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