Plano contra seca extrema no Amazonas une ciência e ribeirinhos para salvar botos
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Com sensores instalados em lagos, imagens de satélite e a participação de comunidades ribeirinhas do Amazonas , pesquisadores e órgãos ambientais criaram uma rede de monitoramento para identificar, com antecedência, os potenciais impactos das secas extremas sobre os mamíferos aquáticos da amazônia .
A estratégia busca transformar informações científicas em respostas rápidas para proteger os animais e as comunidades. A mudança ocorreu após a mortandade de 209 botos durante a seca extrema de 2023 a 2024, quando o lago Tefé, na cidade de mesmo nome, atingiu 40,9°C.
A tragédia revelou a necessidade de buscar estratégias de prevenção. Uma das principais iniciativas é o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, coordenado pelo pesquisador Ayan Fleischmann, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.
O programa monitora cinco lagos por meio de estações meteorológicas, sensores submersos e imagens de satélite.
Os equipamentos registram temperatura da água e do ar, nível dos rios, oxigênio dissolvido, radiação solar, chuvas e ventos para identificar condições que possam levar a eventos extremos. Segundo Fleischmann, a iniciativa reúne 17 instituições e cerca de 70 pesquisadores.
Um dos diferenciais do programa é transformar moradores locais em parte do sistema de monitoramento. Mais de 200 comunitários em 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais, participaram das oficinas.
A ideia é simples: quem vive diariamente nos lagos percebe mudanças que escapam muitas vezes aos equipamentos.
Os moradores são treinados para atuar como sentinelas ambientais, identificando alterações na água, mudanças no comportamento dos animais e sinais precoces de eventos extremos. O conhecimento tradicional preveniu uma devastação ainda maior em 2023 . Moradores construíram um pari, uma barreira feita com estacas, para impedir que botos entrassem em uma região crítica do lago Tefé. Também foram os barqueiros da região que garantiram o deslocamento seguro das equipes científicas durante a seca severa.
Além do monitoramento ambiental, pesquisadores capturaram 17 botos-vermelhos ( Inia geoffrensis ) no lago Amanã para exames.
Doze receberam transmissores via satélite que registram localização, profundidade e temperatura da água durante os deslocamentos. Os dados permitem identificar áreas de refúgio e compreender como a espécie responde às secas extremas.
Um estudo publicado na revista Science em 2025, liderado por Fleischmann, mostrou que o aquecimento extremo dos lagos é resultado da combinação de radiação solar intensa, redução da profundidade, baixa velocidade dos ventos e alta turbidez da água.
A pesquisa identificou ainda que a temperatura dos lagos amazônicos aumentou, em média, 0,6°C por década entre 1990 e 2023 . Isso indica que esses episódios tendem a se tornar mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas.
Em 2025, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) divulgou o Guia para Emergências com Mamíferos Aquáticos Amazônicos em Situações de Seca Extrema .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.