Mano Ferreira: Discurso econômico de campanha de Flávio não para em pé
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O discurso econômico da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) não se sustenta diante das promessas de ajuste fiscal e da negativa de mudanças em despesas obrigatórias, avaliou o colunista Mano Ferreira no Pulso Político , do Canal UOL.
O jornalista afirmou que o mercado financeiro espera medidas para conter o crescimento automático das despesas públicas, mas o coordenador econômico da campanha, Adolfo Sachsida, negou que essas mudanças sejam implementadas em um eventual governo.
O discurso dele não para de pé. Não tem como conciliar o ajuste fiscal que Flávio promete e a inexistência dessas medidas. Corte de ministério é um rearranjo: você, no lugar de ter a estrutura de um ministério, passa a ser uma secretaria. A economia disso é minúscula, não significa nada perto do orçamento. A questão dos supersalários tem um ponto moral, mas, do ponto de vista fiscal, esse resultado é muito pequeno. Não tem como prometer responsabilidade fiscal e ajuste das contas de um lado e dizer que não vai tomar essas outras medidas do outro. A conta não fecha. Mano Ferreira
Mano explicou que a expectativa de setores do mercado envolve alterações nas regras de reajuste do salário mínimo e sua vinculação aos benefícios previdenciários, além de mudanças nos pisos de gastos com saúde e educação.
A visão dos economistas é que qualquer medida que vise criar um equilíbrio orçamentário sustentável precisa tratar desses dois lados da vinculação. Tem que cortar a indexação do salário mínimo com previdência e cortar a vinculação entre receita e gastos com saúde ou educação, ou pelo menos tornar essa despesa mais flexível. Mano Ferreira
Segundo o colunista, Sachsida publicou um vídeo afirmando que essas regras não seriam alteradas e que o ajuste fiscal poderia ser realizado por meio do combate a privilégios. Mano, porém, argumentou que medidas como a redução do número de ministérios e o enfrentamento dos supersalários não gerariam economia suficiente para equilibrar as contas públicas.
João Paulo Charleaux também apontou contradições entre as propostas apresentadas por interlocutores da campanha ao mercado financeiro e as declarações públicas do coordenador econômico. O colunista questionou qual das versões representa as medidas que Flávio pretende adotar.
É difícil saber quem está falando a verdade, porque são os interlocutores [...] junto ao mercado, com o objetivo de trazer o PIB para a campanha [...] ou então o Adolfo Sachsida está ali mentindo. Ele est'á contrariando o que vem sendo dito pela própria campanha. Essa equação não fecha. João Paulo Charleaux
Marcela Mattos avaliou que a campanha busca sinalizar ao mercado a disposição de realizar um ajuste fiscal sem assumir publicamente os impactos das medidas sobre a população, especialmente durante a disputa do segundo turno.
Querem o bônus de sinalizar para o mercado que vão fazer políticas de arrocho, mas ainda dependem do voto, porque ainda tem um segundo turno. [...] Quando isso sai na manchete do jornal, você tem o coordenador da área econômica vindo fazer o famoso 'veja bem'.
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