Política foi a grande estrela das premiações do Festival de Veneza
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Uma das grandes polêmicas do Festival de Veneza deste ano foi a escolha de apenas um filme com direção solo de uma mulher a participar da disputa pelo prêmio principal. Pois, entre os 21 longas da disputa, foi justamente ele, o dinamarquês "Woman Unknown", de May el-Thouky , o eleito para levar o Leão de Ouro, pelo júri presidido pela atriz americana Maggie Gyllenhaal . Mais que um reconhecimento estético, o prêmio é claramente uma tomada de posição —não há o que explique por que mulheres ainda hoje tenham tão mais dificuldades de participar de festivais do que cineastas homens, nos diz o júri com a premiação. E, com isso, vai na contramão do diretor do evento, Alberto Barbera, que disse que Veneza só escolhe filmes pelo seu valor estético.
No caso de "Woman Unknown", a inclusão na disputa atendeu tanto a representatividade feminina quanto ao critério de qualidade fílmica: é um longa que merecia, de fato, sair do Lido com prêmios. A trama aborda a história de uma mulher de origens proletárias, que se casa com o antigo patrão.
Mas seu conforto material é ameaçado depois que um rapaz lhe diz que vai revelar seu grande segredo do passado: durante a Segunda Guerra, ela teve um romance com um nazista, e, com o fim da ocupação alemã, caso a verdade venha à tona, seu casamento pode acabar —e ela corre sério risco de ser levada à praça pública, tendo seus cabelos raspados diante de todo mundo, como forma de punição. Além do Leão de Ouro, o filme deu a Coppa Volpi de melhor atriz para Mathilde Arcel , também uma ótima escolha. O filme de El-Thoukhy tem certa convencionalidade narrativa, mas a história é contada com excelente senso de precisão e uma grande sensibilidade para destacar o pavor dessa mulher em ser desmascarada —sendo que seu próprio marido, que fez negócios com os nazistas, não tem medo algum de pagar por isso. Afinal, algumas punições, o filme nos diz, são específicas das mulheres.
Mas não foi o único filme militante a se destacar em Veneza neste ano. O mais abertamente combativo em termos políticos, o documentário "Naza" , dos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, ficou com o prêmio especial do júri, o terceiro mais importante. Mostra que Israel tem promovido o assassinato deliberado de civis em Gaza, em ações que muitas vezes visam matar apenas um terrorista do Hamas , mas levando concomitantemente à morte centenas de pessoas sem relação alguma com o grupo, que são assassinadas apenas por estarem no lugar errado. O filme conta com desconcertantes depoimentos de pessoas que participaram de operações do governo de Binyamin Netanyahu e que, por arrependimento ou até algum senso de orgulho, falam ao filme, com seus rostos e vozes camuflados. Ilya Khrzhanovsky, nascido na Rússia, mas que abriu mão de sua cidadania do país por desavenças com o governo de Vladimir Putin , foi laureado com o prêmio de melhor direção pelo notável "Dau" .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.