MPF apura desmate que ameaça maior águia do planeta quase extinta no Pantanal
Harpia gigante é flagrada no pantanal sul-mato-grossense O Ministério Público Federal (MPF) investiga possíveis irregularidades em autorizações ambientais concedidas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para a retirada de vegetação no Maciço do Urucum, em Corumbá.
A região é habitat de harpias (Harpia harpyja), espécie considerada a maior ave do planeta e quase ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O objetivo é verificar se o Imasul autorizou a retirada de vegetação no Maciço do Urucum sem a autorização prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), exigida pela legislação em determinadas áreas de Mata Atlântica com mais de 50 hectares. 🔎 A Lei 11.428/2006 prevê desde 2019 que quando a área for superior a 50 hectares em meio rural ou 3 hectares em área urbana (exceto em edificações e loteamentos), dependem da autorização do Ibama antes, para depois sim, ter a anuência do órgão ambiental estadual.
A investigação foi formalizada em portaria do MPF que determina a abertura de um inquérito civil.
De acordo com a portaria, autorizações para retirada de vegetação concedidas em 2023, 2024 e 2025 foram destinadas a empresas de mineração de ferro que atuam na região.
Segundo o MPF, a situação ganha relevância diante de uma Nota Técnica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), que confirmou a existência de ninhos ativos de harpia na região.
A espécie é considerada ameaçada de extinção no documento do MPF, e os territórios de caça das aves coincidem com áreas de expansão minerária autorizadas.
A portaria determina que o Imasul encaminhe, no prazo de 15 dias, os processos administrativos que fundamentaram a emissão das autorizações ambientais.
O órgão também deverá apresentar as justificativas técnicas para a dispensa do conhecimento prévio do Ibama e informar se houve estudos sobre a presença de ninhos de harpia nas áreas licenciadas.
Além do Imasul, as empresas LHG Mining Corumbá S/A, Vetria Mineração S.A. e 3A Mining S.A. também são investigadas no procedimento.
O g1 entrou em contato com o Instituto mas não obteve responsta até a publicação desta reportagem.
Harpia gigante é flagrada com filhote em ninho no Pantanal.
Icterus Ecoturismo e Planeta Aves/Reprodução Harpia é monitorada há 10 anos em Corumbá Na região do Maciço do Urucum, em Corumbá, um casal de harpias é monitorado por pesquisadores há cerca de 10 anos.
Um dos ninhos usado pelo casal foi localizado em julho de 2025, após anos de buscas feitas por especialistas que estudam a fauna do Maciço do Urucum.
A descoberta confirmou a presença reprodutiva da espécie na região.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.